As minhas cachadas no Geocaching

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Só se lembram dos caminhos velhos...

Olá caros e caras bloguistas Militantes

Eu sou um pouco para o distraído, não reparo no essencial e vejo o que é mais secundário, isso tem-me trazido experiências diferentes...

E vai daí que dei por mim a pensar que o Natal deve estar por aí a chegar.

E como é que o "je" chega a esta conclusão?

Fácil, na TV é só anúncios para os putos, é uma espécie de pensamento pavloviano para mim, dá anúncios para putos logo vem aí o Natal... cada um tem a raça de cão de Pavlov que merece...

Mas vejam, ele são as "Barbies" que cospem, são as "Barbies" que vêem com o "Ken" e mais o carro ganho no euromilhões, com preservativos, sim porque temos de ter cuidado, se os putos resolvem deitar as "Barbies" com os ken, com estas novas tecnologias ainda ficamos com a casa cheia de "Nenucos"... e depois não há lugar para tantos bonecos.

Nós somos um povo de uma cultura extraordinária, criticamos culturas alheias por dá cá aquela palha, por ensinarem dogmas castradores às suas crianças, religiões de origem duvidosa, de ensinarem ás crianças que explodir é uma alegria se for perto de Israelitas e que assim têm o Ceú e virgens por sua conta...etc... etc...

Devíamos olhar para nós primeiro, para o nosso umbigo ( parece que só olhamos para o umbigo quando não devemos ou por razões erradas) e vermos que andamos a incentivar os nossos putos para aderirem em massa ao consumismo.

Já viram ou melhor já olharam bem para os anúncios?

Os "jingles" que até nós repetimos, já não cantamos canções populares, cantamos ou relembramos "jingles" de anúncios, são o nosso folclore nacional.

E são um apelo ao compra, compra, gasta, gasta, abram alas para o Noddy com a carteira a chiar... abram alas para o Noddy já não há mais dinheiro para gastar... e os putos a pedinchar... e a berrar...

Ninguém quer admitir, mas o Natal, neste momento, é só TV, vaidade e consumismo, perdeu-se toda aquela magia que existia, todo o seu significado.

Esta febre do Natal, em que parece mal não oferecermos ao tio do primo do cunhado da vizinha, já parece o antigo anúncio do "Porto Ferreira"... chegava para todos... e é assim que nós estamos... temos de chegar para todos... se não, parece mal...

É uma febre que nos expõe ao ridículo, é uma febre que nos faz cair na tentação das lojas dos 300, e lá estamos ridiculamente a oferecer inutilidades pró menino e prá menina.

Até mudam os horários dos hipermercados para abrirem ao domingo e à noite ficarem até mais tarde, isto para nos darem a possibilidade "feliz" de termos um horário mais alargado para largamos o dinheiro da carteira.

Consumir, consumir, gastar, gastar, para os hipermercados marchar, marchar.

Depois isto, torna-se assunto televisivo, e acho "piada" à maneira como os espectadores são orientados para transmitirem determinada opinião, nos programas da RTPN e SIC Noticias, para que exijam que os Hipermercados abram ao domingo.

O programa deveria era ser " Devemos alargar o horário de fazer saltar o dinheiro da sua carteira"...

Mas isto é uma teia bem urdida. Duas semanas antes falam no assunto, e repisam-no até à exaustão, que é injusto estarem as superfícies fechadas e pintam a manta a dizerem que está mal, que as pessoas tem de ir ás compras ao Domingo e o diabo a 7.

Para depois, subrepticia e inocentemente fazerem inquéritos sobre o assunto e obterem uma maioria de respostas favoráveis.

Somos uma cambada de tótós influênciaveis.

Eu não sei como é que antes, os seres humanos conseguiam sobreviver sem hipermercados.

Ser humano, esse animal estranho, que sobrevive nas mais inóspitas condições extremas de fecho dos hipermercados ao domingo.

Que fariam eles ao fim de semana quando nada disto existia?

Que vida monótona deveriam levar, sem centros comerciais, com mercearias a cheirarem a bacalhau, ai que nojo...

E eu, que ainda me lembro, que as azeitonas vinham embrulhadas em papel pardo cinzento, e só chegava meio pacote a casa... que saudades.

Com isto tudo, todos nos parecemos esquecer dos funcionários, que também tem direito a ficar com a família, pelo menos uma vez por semana...

E hipócritas, como somos, para iludir esta nossa veia consumista, só nos lembramos dos desvalidos, dos sem abrigo, dos necessitados... no Natal... só que Natal para eles é todos os dias.

Sim, o dinheiro não é tudo... ou estarei enganado?

Eu cá por mim adoptei uma postura simples, uma Postura inspirada na canção do Cantor/compositor Mário Mata (adpatado claro, o título nao o cantor) "Não há prendas para ninguém".

Claro que não recuso se mas oferecerem, mas... não retribuo.

Recuso-me a entrar em Natais comerciais, onde os produtos começam a aumentar em Setembro e sobem constantemente até ao dia 24 véspera de Natal.

E depois, vemos os preços, no dia 26 passarem de uma espécie de permanente com coloração e massagem, para um corte rente á escovinha.

Digam-me que não sentem uma raiva a crescer dentro de vós, quando veem que compraram uma prenda que no dia 26 de Dezembro custa 50 ou 75% menos que o preço que vocês pagaram dois ou tres dias antes.

Não tem vontade de mandar os comerciantes a uma [asneira] qualquer?

Quando eu quero oferecer, faço-o com amor e carinho, não por obrigação de determinada data, faço-o durante o ano... mas no Natal não.

Gosto no entanto, da postura de uma determinada família que eu conheço, que são cerca de 16 pessoas, em vez de terem de comprar 15 prendas baratas para cada um e que depois seriam inutilidades para ficarem lá em casa, optaram por outro procedimento, que é o seguinte:

Eles fazem um sorteio, em que é distribuído individualmente um determinado membro da família (seja ele irmão, pai, tia, cunhada, etc...).

Assim,em vez de gastar dinheiro em 15 prendas, escolhe e gasta dinheiro numa prenda só, para o membro da família que lhe calhou no sorteio.

Consulta os outros membros sobre qual a prenda adequada (aquelas coisas que fazemos para oferecermos algo de qualidade), e assim na noite da consoada ou no dia de natal cada membro da família recebe uma só prenda.

Mas é uma prenda de qualidade, boa, prática, que lhe faça falta ou algo que a pessoa desejasse, assim poupam dinheiro, e ganham em felicidade.

Eu que sempre fui uma pessoa prática, e de gostos refinados, sempre gostei das prendas práticas, fossem elas meias, camisolas tricotadas à mão ou canetas Mont Blanc, nunca me calharam as canetas Mont Blanc... mas não perco a esperança... pois é Natal.

E se insistirem em me oferecer uma boa prenda, uma prenda de qualidade... olhem ofereçam-me a "Claúdia Vieira" tal e qual está no anúncio da "Triumph" isso sim é que era Na ... tal... era um Natal Feliz... ai pois era... Olé.

Natal dos simples
Letra José Afonso

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro
raparigas solteiras

Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte

Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos
anda à noite à ventura

Ele há cargas fantásticas, não há? Mas no Natal não há cargas para ninguém, só filhoses e rabanadas e fatias douradas.

2 comentários:

Anónimo disse...

Não estou nos anúncios da Triumph ... mas ofereço-te uma prenda de Natal hoje (antes que os preços subam!) Ou então decidimos lá em casa (em tua homenagem, claro!)só oferecer prendas no dia 26 à noite...!

Cabo Napol "eao" disse...

BOm , fico á espera da prenda ;-), não sei quem és ...mas uma prenda é uma prenda ... e pronto eheheheh