As minhas cachadas no Geocaching

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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Cheira a gás... e não só

Olá caros Bloguistas Militantes

Hoje falamos do Gás Natural.

Não, não vamos falar do acordo com a Venezuela que o Governo assinou, nem do Sr. Hugo Chavez.

Falamos da implementação do Gás Natural e dos "acidentes" que têm acontecido

Já estava á espera, e continuo à espera, tal qual uma "cigana" que adivinha.

Isto de ter informação privilegiada, às vezes é dramático.

Principalmente, se se fez parte de um órgão autárquico, e se tentou que a informação fosse veiculada para a opinião pública, e ela perdeu-se pelos infinitos corredores da burocracia, ficou retida por ter sido pressionada pelas grandes companhias fornecedoras de Gás Natural.

A democracia está comprometida, eu já o disse várias vezes, e por várias vezes já o confirmei.

Os elementos da comissão e eram cerca de 10, todos tem em suas casas os relatórios técnicos que suportam o que eu vou dizer.

A totalidade, dos 105 deputados municipais da altura, ( não da assembleia da república), tiveram conhecimento do que eu aqui digo.

Por isso a informação não é desconhecida, ou foi escondida.

Surpreendente foi a comunicação social, a primeira a não "pegar" nela, o que só sublinha o facto de a imprensa querer só tragédias para abrir os telejornais e fazer as manchetes.

Lá estou eu outra vez com a economia e o poder das grandes companhias que controlam o "poder político" e jornalístico.

Ok, eu desvendo o que estou a dizer.

Ontem, explodiu devido a uma fuga de Gás um prédio em Setúbal, explosões de Gás, este ano, já foram 12.

Houve feridos, imensos estragos materiais, pessoas que vão ficar desalojadas sabe-se-lá durante quanto tempo.

A tragédia podia ter sido evitada, assim como tragédias futuras também.

Como vos disse já estava à espera, tal como uma cigana que adivinha.

A Deco, diz que os consumidores, não estão devidamente alertados.

É bem verdade, não o estão, nem seguros, acrescento eu.

E confesso que estou com receio, porque consumidores somos todos nós, e estamos todos expostos ao perigo.

Mas a verdade é mais profunda que isso, muito mais profunda.

Isto de ter a informação é tramado.

E se querem saber, pesa-me na consciência, porque não pude fazer nada, porque não me deixaram agir.

Quis alertar as "autoridades jornalísticas", mas estas, consideraram um assunto de menor importância à época.

Mas, eu digo, que existiu e existe conivência, de várias entidades, quer por acção ou por omissão, tanto da Deco (empresa privada), como do instituto do Consumidor ( organismo público), como dos organismos privados e estatais, em relação a este assunto.

E que assunto?

Falo especificamente do Gás Natural, e da legislação que foi feita antes da implementação do Gás Natural em Portugal.

Nunca se perguntaram, porque é que já existindo canalizações de gás por toda a parte, com a implementação de um gás novo, as ruas tiveram (e ainda estão), a ser esburacadas e estão a ser colocadas novas canalizações?

Se a maior parte das canalizações de gás existentes, ainda estavam em condições, então o porquê de se gastar milhões de contos em novas canalizações?

Uma empresa privada a gastar dinheiro inutilmente?

Huuuummmmm.... !!!

E porquê? Porque farão isso?

Porque as canalizações, do Gás de Cidade, eram inadequadas quer tecnicamente, quer do ponto de vista da segurança, para o transporte do Gás Natural.

E, se as Companhias Fornecedoras do Gás Natural, queriam "vingar" em Portugal, tinham de apostar em segurança.

Aí o Estado não abriu mão, os contratos assinados a isso o exigiam.

Mas um contrato, é um acordo de partes, e raramente os terceiros (leia-se nós) são contemplados, excepto quando é para pagar.

Assim o Estado contratualizou e obrigou-se a legislar sobre a implementação do Gás Natural, a segurança nas ruas, terras enfim no espaço público por onde passava as condutas de Gás Natural, e por contrato as empresas fornecedoras de Gás Natural, tem de cumprir.

Restam os terceiros, ou seja, nós, que apesar de teoricamente fazermos parte do Estado, não fomos contemplados no acordo, excepto para a parte de pagar a factura.

Porque, se tivessemos sido contemplados em relação à segurança, as Companhias Fornecedoras do Gás Natural, teriam a obrigação sua (e digo isto, porque é uma energia nova e perigosa, se não for devidamente manuseada), de mudar e fiscalizar a mudança técnica necessária para que o Gás Natural, chegasse da rua a nossas casas em segurança.

Mas não o fez, ninguém o fez, não fomos contemplados, e a segurança está comprometida.

As empresas fornecedoras de Gás Natural, não quiserem ter esse ónus, não quiseram pagar as instalações da origem da recolha do Gás Natural, até às saídas de queima final nas nossas casas ou mais simplesmente recusar fazer a ligação, da rua para os edifícios enquanto não fossem mudadas as instalações.

Nada disto foi feito, porque se tivessem a responsabilidade contratual de fazer a instalação completa, demorava mais tempo e gastavam mais dinheiro ou se se recusassem a fazer a ligação da rua para os edifícios, significaria menos contratos.

Ora, porque o lucro é o mais importante... as empresas fornecedoras de Gás Natural, só tiveram de pressionar o Governo da altura a não colocar essa clausula no contrato nem na lei, e a segurança ficou comprometida a prazo...

Ou seja, tal como uma cigana, previram, que quando algo acontecer (leia-e fugas ou explosões) já esta energia está instalada, já não podem ser responsabilizados.

Pois, agora a "bomboka estourou", os "acidentes" (previstos e previsíveis) estão a acontecer.

Não se é preciso ser cigana para adivinhar.

A tragédia está lá pronta a acontecer.

E, agora?

Estabelecer uma causa efeito?

Vai ser difícil, mas tudo foi preparado para que fosse assim, e as empresas fornecedoras de Gás Natural, naturalmente vão ser desresponsabilizadas.

Refira-se que eram raríssimos, mesmo diminutos, os acidentes provocados pelo antigo Gás da Cidade (devido a condições técnicas), as canalizações estavam tecnicamente preparadas para ele, e isso tornavam-no num gás fiável, era portanto um gás seguro.

Este Gás Natural, não é seguro.

E não é seguro por culpa das novas companhias fornecedoras de Gás Natural, e da Deco, e do Instituto de Consumidor, e dos inspectores que foram a nossa casa certificar a canalização, perdão foi um "lapsus digitae", o que estes inspectores foram ver foram os dispositivos de queima.

É que até com isso, as empresas fornecedoras de Gás Natural, fizeram negócio, com a "oferta" da troca dos aparelhos de queima do gás (oferta ou compra mais barata), porque o caro que era o mudar a canalização, isso não o fizeram.

Ou seja, forneceram o combustível, forneceram o "automóvel", mas as estradas para lá chegar isso ficou por conta dos tais terceiros.

Grande negócio, induziram-nos ao consumo deliberada e propositadamente.

A culpa também é do legislador que elaborou a "intrincada" legislação de instalação de gás, e que deixou propositadamente de fora as instalações da canalização dos edifícios, pois as grandes companhias fornecedoras de Gás Natural, assim o exigiram, os tais "buracos" na lei.

Uma ressalva e esclarecimento, se impõe aqui, saibam pois que o coeficiente de queima do Gás Natural, é mais baixo que o antigo Gás da Cidade, que o Gás Propano, ou do Gás butano.

Coeficiente de queima, é a energia calorífica que o gás produz, e é facilmente quantificável.

Se numa experiência, utilizando os vários tipos de gás que se comercializa ( Butano, Propano e Gás Natural- já que o antigo Gás de Cidade deixou de ser fabricado), num dispositivo de queima, colocarmos em 3 bicos um recipiente com um litro de água (sendo que cada bico é alimentado por um tipo de gás diferente) e cronometramos o tempo que a água leva até levantar fervura, obtemos assim o coeficiente de queima de cada gás.

O Gás Natural, é o que ,leva mais tempo, o Propano é o que leva menos tempo.

Quanto a este ultimo, existem restrições de segurança e legislativas para o podermos ter dentro de nossas casas, pois é preciso requisitos especiais e claro canalizações especiais (mas quanto a isto já lá vamos).

Se o Gás Natural leva mais tempo a ferver um litro de água, então gastamos mais gás, é por causa disso (apesar de ter o preço um pouco mais baixo) , que as contas do gás dispararam, que as cozinheiras levaram tempo a adaptar-se a esta energia e os cozinhados não ficaram tão apurados e saborosos como eram antigamente.

Eu sei, eu sei , não fui concreto tecnicamente até agora, mas vou sê-lo.

As cidades/casas, que antigamente usavam gás de cidade, tinham canalizações preparadas para esse tipo de gás.

Ora o Gás de Cidade, era um gás que era húmido, as canalizações eram nas suas juntas ( local onde um cano liga a outro ou a um dispositivo de queima) vedadas eficazmente com linho.

Sendo húmido, o gás ao passar na canalização, mantinha o linho húmido.

Ora húmido o linho dilata, e dilatado faz de vedante e não deixa passar o gás, logo é estanque, logo não existem fugas.

O mesmo não se passa com o Gás Natural, este é seco, não tem portanto humidade.

O que não é nenhum drama, pois se as Companhias fornecedoras do Gás Natural até á porta do seu prédio, colocaram canalizações novas e tecnicamente adequadas para o transporte deste gás, não tem problema nenhum.

O problema é da porta do seu prédio para dentro.

É que se o seu prédio, está preparado para o Gás Propano, ou Butano ou o antigo Gás de Cidade, não o está tecnicamente preparado para o novo Gás Natural.

É por isso, que sem a humidade (fornecida pela passagem do antigo gás), os vedantes (o linho) vão ceder, as fugas vão acontecer, e as tragédias irão ocorrer, porque só estarão á espera do sistema entrar em colapso.

E, este ano foram já 12 as explosões, muitas mais irão acontecer.

Não é preciso ser cigana para adivinhar.

As companhias fornecedoras de Gás Natural, desculpam-se com a lei, aquela que ajudaram a manipular.

De que não podem mexer em propriedade privada, até aí tudo muito certo, é verdade.

Mas poderiam e deveriam ter recusado o fornecimento enquanto as coisas não estivessem tecnicamente em conformidade e em segurança.

Poderiam e deveriam ter avisado do perigo que isso constituí.

Mas se isso acontecesse, os "Terceiros", ou não alinhavam no gás natural ou levariam mais tempo a instalá-lo, porque tecnicamente mudar e preparar milhões de lares leva algum tempo.

Tempo que as companhias não queriam perder, pois tempo é dinheiro.

A nossa segurança está em causa, acreditem em mim e desconfiem de quem diga o contrário.

E não se esqueçam, que a vossa casa pode até já ter feito obras e adaptado as canalizações para o gás natural.

E o prédio ao lado do seu?

E o restaurante onde vai todos os dias?

E a casa dos seus familiares?

Pois é ... é que quando existe uma explosão de gás, é a mesma coisa que a "caca" quando cai na ventoinha... é espalhada por todo o lado.

Eu, retirei o gás canalizado de casa, é tudo eléctrico, não sei se fiz uma boa opção, não sei se estou mais seguro, o certo é que retirei.

Termino como comecei:

Já estava á espera, e continuo à espera. Não preciso de ser cigana para adivinhar.

Isto de ter informação privilegiada, às vezes é dramático.

Acreditem é mesmo, e o pior é que não sei o que hei-de fazer.

Não sei mesmo.

Tu gitana - Cancioneiro de Vila Viçosa

Tu gitana que adivinhas
Me lo digas, poes no lo
Se saldre dessa aventura
Ô si nela moriré
Ô si nela perco la vida
Ô si nela triumfare
Tu gitana que adivinhas
Me lo digas, poes no lo sê

Ele há cargas fantásticas, não há? Então com gás até voam.

3 comentários:

Paula disse...

Muito bem... desconhecia o problema mas fiquei alertada... continua a alertar-me para estas e outras realidades... agradeço-te. Bjs

Gioconda disse...

Assino por baixo.... em casa dos meus pais que é um prédio velho eu não autorizei que colocassem gas natural... e também não sou cigana....

Oh Napoleão eu não deixei de escrever, eu tenho é pouco tempo... e tenho três blogs... mas ja la postei qualquer coisita um dia destes. Obrigada por me visitares.

Cabo Napol "eao" disse...

Este problema é mesmo grave, ainda bem que aqui allertei mais algumas pessoas.

GIOCONDA, eu sou assiduo aos teus blogues, não deixes de escrever.