As minhas cachadas no Geocaching

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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O país fechou para obras...voltamos dentro de momentos ...

Caros Bloguistas Militantes

Deambulando pelas ruas da minha cidade, da nossa capital, tenho a sensação, que às vezes deveríamos fechar o país para obras, e entregar as obras a um consórcio qualquer estrangeiro.

Estou quase certo que faria disto um resort de luxo, muito verde, muitos campos de golf, e 10.000.000 de empregados para o satisfazer.

Claro que só teria vantagens, todos estaríamos empregados e não havia pobres, nem sem abrigo, nem essas coisas que um país pode ter e um resort de luxo não.

Vistas bem as coisas, teríamos todos aposentos de empregado em condições, pois um resort tão grande e de luxo teria de tratar bem os empregados.

Bom, mas enquanto isso não acontece, e espero que não aconteça... vós já reparasteis, na enormidade de obras que este país tem?

E também já repararam, que nada nunca está reparado? Ou melhor dizendo...

A relação proporcional entre o número de obras a decorrer e coisas que efectivamente ficam arranjadas/reparadas é manifestamente desproporcional.

A quantidade de pó e barulho que temos de suportar, os chamados custos ou danos colaterais, não é compensada ou raramente é compensada pelos benefícios de ver uma obra final completa, limpa, útil e eficaz.

Quando algo fica arranjado, nem um mês dura, existe logo uma alteração ao projecto, o que não admira nada, pois os projectos levam anos a serem aprovados, quando chega a fase da execução, este já se encontra desadequado... e mais caro... e ás vezes ultrapassado.

Nunca consegui andar 2 km em Lisboa, sem que visse um passeio ou rua em obras.

Dizia um antigo Comandante meu, que era Engenheiro, os contratos que existem com os empreiteiros são pautados pelo seguinte, na rua quem abre um buraco tem a responsabilidade contratual de o tapar, mesmo que esteja atrás dele um tipo, de outra companhia, com uma picareta levantada pronto a abrir o buraco outra vez.

Sei que há 2 mandatos atrás, era João Soares, presidente da Camâra, farto de ver as ruas acabadas de ser arranjadas com alcatrão novo, não passarem 2 semanas que não fossem esburacadas qual toupeiras famintas pelas empresas esburacadoras.

Reuniu então os buraqueiros todos, que é como quem diz as companhias de fornecimento de serviços que são os responsáveis pelos grandes e pequenos buracos da cidade, de modo a concertar esforços para que as obras acontecessem nos locais todas ao mesmo tempo.

Isto para as coisas serem coordenadas, e não acontecer o paradigma da picareta, -lo também por causa da sinalização de segurança, de modo a esta ser cumprida e para que a câmara tivesse conhecimento atempado das intervenções e coordenar, enfim por ordem na casa e a casa em ordem.

O homem já perdeu as eleições... e julgam que conseguiu?

Os resultados falam por si... para grande frustração do autarca.

Se noutros países civilizados, existem túneis técnicos, que canalizam tudo dentro de si, e se algum cano romper, ou um cabo precisar de ser substituído ou outra coisa qualquer, eles vão pelo túnel técnico e consertam, não abrem buracos.

Modernices... a tirarem trabalho aos tipos da picareta.

Mas se disso houver necessidade, como eu já vi na Suíça, as obras tem data marcada, do dia x ao dia y, e espante-se as obras acabam mesmo naquele dia com tudo pronto.

Cá túneis técnicos, só nas ruas da ex-expo 98, e um ensaio parecido na Avenida 24 de Julho quando foi remodelada.

Mas, por falar em sistemas obsoletos, o saneamento básico da cidade, também é obsoleto, e não é só em Lisboa.

Os esgotos pluviais e os residuais domésticos, que deveriam também entrar nesses túneis técnicos, são comuns ou seja estão juntos.

Misturamos águas sujas da nossa residência, com águas limpas ( que poderiam e deveriam ser reaproveitadas) vindas da chuva.

A mistura das águas pluviais com as residuais, é a causa do cheiro fétido que sentimos, no verão ou quando a maré está vazia, nas ruas da cidade, principalmente nas ruas mais baixas, como é o caso da turística Belém.

Torna-se este cheiro insuportável mesmo, quando o factor calor se conjuga com o factor maré vazia.

Resolvia-se isto tão bem fazendo duas condutas de esgotos independentes, obrigando os prédios da cidade a recolherem as suas águas pluviais, e depois reutilizando nas sanitas... pelo menos o desperdício era menor.

Voltando aos buracos, quando uma obra fica embargada, temos buracos para vários anos, ninguém o tapa, ninguém quer saber.

Ficámos sem calceteiros, o pessoal que sabia da poda cada vez é menos, e pertence á câmara, mas como já não é a câmara que arranja os passeios, mas sim os subempreiteiros, que não tem a técnica e o rigor de saber colocar a pedra de toque, que faz com que os passeios fiquem firmes... os passeios arranjados por este sub-patos-bravo, passados uns dias estão aos altos e baixos.

É o país que temos, são os buracos que merecemos.

Sabem, deveríamos colocar um cartaz na fronteira a dizer "fechado para obras, e reabre com nova gerência....voltamos dentro de momentos... volte você também"

Olaré.

Eu vou ser como a Toupeira - José Afonso

Eu vou ser como a toupeira
Que esburaca
Penitência, diz a hidra
Quando à seca
Eu vou ser como a gibóia
Que atormenta
Não há luz que não se veja
Da charneca
E não me digas agora
Estás à espera
Penitência diz a hidra
Quando à seca
E se te enfias na toca
És como ela
Quero-me à minha vontade
Não na tua
Ó hidra, diz-me a verdade
Nua e crua
Mais vale dar numa sarjeta
Que na mão
De quem nos inveja a vida
E tira o pão

Ele há cargas fantásticas, não há? Mas às vezes os buracos fazem cair os cavalos durante as cargas.

2 comentários:

Anónimo disse...

Volto sim... gosto da forma como teces críticas construtivas aos problemas ambientais e sociais que detectas ao teu redor... porque não escreves uma crónica num jornal semanal?? Na minha opinião todos teríamos a ganhar! Bjs

Cabo Napol "eao" disse...

Escrever para um jornal não deve ser fácil ... e tudo dependeria das propostas e codições... aqui a escrita é livre...