As minhas cachadas no Geocaching

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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Que Asae do caraças

Olá Caros Bloguistas Militantes

Enfim a chuva veio.

Passámos do 8 ao 80, deixámos o alerta amarelo dos incêndios, para passarmos a alerta amarelo de mau tempo.

Quem tem sempre o mesmo trabalho, são os colegas bombeiros... um dia destes falo neles no blogue.

Ontem foi Domingo, almocei numa tasca ou num tasco ou numa taberna como vos der mais jeito dizer.

Que maravilha, que típico, foi em Lisboa claro, sim porque na minha terra ainda existem tascas.

E porque é que eu gostei? - perguntarão vós.

Porque o ambiente, a casa, nada é estereotipado, nada de coisas complicadas ou de plástico, tasca pura e dura com bêbados, homens das obras, das oficinas, mulheres de má fama e tudo.

Sim, porque o fim-de-semana que é para descansar... não chegou a todos.

Aquilo é digno de se ver, tintol em cima de quase todas as mesas, e na minha estava uma imperial (apesar de não poder beber mas não ia fazer a desfeita) porque o tintol faz-me sono... deve ser dos taninos.

Gostei de ir ao tasco porque, se ainda tiver fome depois de ter comido o que vem no prato, ali pedindo temos sempre mais um bocadinho.

Fez-me lembrar outro tempos já idos, em que íamos às mercearias antigas, onde as balanças eram com pesos (iguais às balanças da justiça), pedíamos um kilo de batatas e o merceeiro colocava sempre mais um bocadinho.

Pedíamos um quarto de queijo e tínhamos sempre mais pelo mesmo preço.

Sim, (ironizando) eram as mercearias muito parecidas com os hiper's de hoje, em que tudo é aferidamente pesado e pago... e oferecem-te um chouriço para levar um porco... outros tempos.

Sabem, caros bloguistas militantes, estou farto de ir todos os dias ao cascais shoping almoçar.

É tudo muito certinho, tudo estereotipado, tudo engravatado, tudo artificial... numa frase... tudo muito igual aos outros centros comerciais de Portugal.

Ali no tasco não, eles são pares de cornos pendurados na parede, uma cabeça de boi onde alguém colocou um par de óculos ao bicho, eles são versos de origem e gosto duvidoso... enfim uma tasca portuguesa com certeza.

Dá pra ver a "origem" geográfica do dono, pelos artefactos campestres antigos que ele tem pendurados na parede, mostrando assim com orgulho que é dali e tem honra nisso.

Os artefactos dão o conforto necessário, naquela humilde taberna onde passa a maior parte dos seus dias e das horas do seu dia, para se esquecer de que é "estrangeiro" ou um "estranho" numa terra cheia de outros "estranhos" e "estrangeiros".

E as pipas, de onde o vinho sai mesmo...

Mas sabem... com o dizem os populares ... eles "andem" aí...

Quem?

A ASAE - Autoridade de Segurança Alimentar e Económica.

Sim, essa que tudo toma pela bitola da lei, mas fá-lo cegamente, que se "lixe" a tradição, nós queremos um Portugal moderno e europeu e não há cá tempo para essas mariquices, e portanto toca a fechar tudo e mais alguma coisa.

Estes tipos, proibiram as sandes de "coiratos" (que nós comíamos quando ainda íamos à bola ou nas feiras), sandes de "coiratos" que nos fazem lembrar, se não formos muçulmanos, que tudo no porco se aproveita, pois se formos muçulmanos nada no porco se aproveita.

Sabem, acho que a ASAE anda ao serviço do grande capital e das multinacionais (já pareço um comuna a falar e não gosto nada disso), se não não perseguia e em vez disso fazia cumprir com tempo e adaptação as leis da restauração.

E assim vamos perdendo a identidade.

Não, não defendo a imundice e o aproveitamento de coisas estragadas, isso não, mas defendo o bom senso, o equilíbrio e adaptação.

Como obrigar um estabelecimento minúsculo a fazer obras para colocar uma casa de banho, quando as vezes nem 20 pessoas cabem lá dentro.

Quando foram feitos este estabelecimentos, as regras não eram essas, e por haver regras novas não se pode impor á força de "ou fazes ou fechas", porque é arruinar o nosso património cultural?

Além disso os tipos da ASAE devem ser funcionários públicos e além disso funcionários públicos lerdos (sim porque os há e bons com expediente e com celeridade, não dentro da ASAE).

Porque é que digo isto?

Viram com toda a certeza, o fecho do "JUMBO" de Alfragide, por causa das obras estavam a encher de pó e a colocarem em risco os produtos alimentares.

Só que as obras no JUMBO de Alfragide, já duram à cerca de 2 anos, e a ASAE fechou o JUMBO de Alfragide 3 dias antes de inaugurar...

Por isso eu digo são lerdos funcionários públicos, e ainda por cima à procura de showoff, pois a ser fechado deveria ter sido logo no início em que o pó era então mais que muito e o risco para a segurança das pessoas também.

Isto é gato escondido com rabo de fora. Assim podem dizer que "fiscalizaram" e até "fecharam" uma grande superfície, não são só os pequeninos... grande coisa... 3 dias quando deveriam ter sido quase 24 meses.

Isto é atirar areia para os nossos olhos... tanta eficiência.

A ASAE (e nunca nenhum jornalista ou TV focou isso), coloca em causa as fiscalizações camarárias, ou vós julgais que as grandes superfícies ou os pequenos mercados e restaurantes etc... estão abertas sem licença ou licenciamento? Sem ficalizações camarárias?

Não, não estão, e tem licença, aqui das quatro uma, ou existe uma desautorização, ou existe corrupção nalgum dos serviços, ou existe uma sobreposição ou existe uma incompetência de alguma das partes, para deixarem os estabelecimentos abrirem e a funcionar.

Sabe-se que quem recorre das inspecções da ASAE consegue contrariar os seus argumentos e reabrir outra vez.

Sob a capa da legalidade faz-se muita liberalidade.

Pois ao olharmos para a legislação vemos que existiu ali uma grande influência de quem detém as grandes superfícies, de modo a beneficiá-los, ou seja as regras do jogo estão viciadas à partida.

Queremos vinho a copo, comida para animais a peso, vinho no jarro, azeite e vinagre nos galheteiros, que a maior parte das vezes era muito bom, não era adulterado e era da colheita do dono da casa.

Eram doses à "medida" que permitiam evitar o desperdício e poupara dinheiro..mas isso está tudo proíbido, porque está tudo standarizado, e logo controlado pelas multinacionais, e nós a pagar.

É isso mesmo caros Bloguistas Militantes... com esta agência de fiscalização, temos um ASAE DO CARAÇAS.

Tendinha Composição: Raúl Ferrão / José Galhardo

Junto ao arco de bandeira

Há uma loja tendinha

De aspecto rasca e banal

Na história da bebedeira

Ai, aquela casa velhinha

É um padrão imortal



Velha taberna

Nesta Lisboa moderna

É da tasca humilde e terna

Que mantém a tradição

Velha tendinha

És o templo da pinguinha

Dos dois brancos, da ginginha

Da boêmia e do pimpão



Noutros tempos, os fadistas

Vinham, já grossos das hortas

Pra o teu balcão returrar

E inspirados, os artistas

Iam pra aí, horas mortas

Ouvir o fado e cantar



Ele há cargas fantásticas não há? Mas se carregar não beba.

3 comentários:

A Vilhena disse...

Se a ASAE fosse a Madrid... fechava(m) a ASAE

Anónimo disse...

Ainda bem que há quem tenha os olhos bem abertos...à conta deles passei a ter mais uma casa de banho quando vou de férias... só vantagens :)

Cabo Napol "eao" disse...

Depois disto a ASAE ainsda fechou a Ginginha do Rossio e o Quarteto em Lisboa.

Ou seja, com os condicionalismos modernos que colocaram vão tirar a tipicidade toda à ginginha... o que é pena.

Mas o Sr.Nunes (o presidente da ASAE) é assim, gosta de fazer sangue... já o fez nos Bombeiros e na Direcção Geral de Viação.

Protagonismo é com ele.

O problema do fecho do Quarteto, é que se calhar nunca mais abre, e vamos ficar confinados a ver os filmes elásticos americanos... porque europeus não haverá salas para os transmitirem.

Mais uma das muitas standarizações.