As minhas cachadas no Geocaching

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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Obrigado a FERNANDO SALGUEIRO MAIA

CAROS BLOGUISTAS MILITANTES
Tenho para mim, há muitos anos uma dúvida e há muitos anos que continuo com ela.
E não pensem que é uma dúvida qualquer, não, não é. Muito longe disso.
A dúvida que eu tenho é esta: Onde e de que lado estaria eu se tivesse 18 anos no 25 de Abril de 1974?
Colocando a questão noutro plano: Onde estaria se não tivesse havido 25 de Abril e como consequência disso a Guerra de África não tivesse acabado?
Estaria eu a caminho de África?
Tinha-me "Pirado " para o estrangeiro?
Faria parte do regime?
Estaria na mocidade Portuguesa ou então na Legião?
E se estivesse numa dessas organizções "Voluntárias", seria enviado para África para combate?
Caros Bloguistas Militantes
Tenho essa dúvida, e podem crer, que é uma dúvida que me incomoda.
Se tudo acontecesse nos dias de hoje, saberia perfeitamente onde não estaria.
Mas hoje a escolha seria fácil. Vivo em Liberdade e já li alguns livros e presenciei conferências, estudei algumas coisas, mais, e mais importante, conversei com cidadãos que viveram sob o jugo da ditadura Ultra-Conservadora que grassou cá pelo burgo.
Por essas razões a informação que possuo é mais completa e ajudar-me-ia a pensar e agir sobre este assunto.
Todos sabemos que o mundo de hoje é muito diferente daquele que este acontecimento rompeu em boa hora, não sei se o mundo que temos foi para melhor.
Portugal também já não é o que era, já evoluímos muito e se calhar também já regredimos.
Mas Caros Bloguistas Militantes, o facto é que a dúvida permanece, e não julguem que não me pesa... pesa... e mais que isso amargura-me.
Embora tudo indique que os valores que a minha família me transmitiu, dificilmente eu faria parte do regime vigente, mas o facto é que... não sei onde estaria.
Sublinho esta amargura, será que era mais um para guerra de África?
Para aquela guerra estúpida e sem sentido...
Será que faria parte dos que defendia a pátria do "Orgulhosamente sós?".
Tremo e vem-me as lágrimas aos olhos só de pensar nisso.
Pensar que seria obrigado a matar outros seres humanos, só a ideia assusta e repugna-me.
E VÓS, CAROS BLOGUISTAS MILITANTES
Já reflectiram sobre as gerações de Portugueses que perdemos?
Os filhos, os pais, os tios, os irmãos, que todos perdemos, numa guerra que nunca por nunca e por nada deste mundo deveríamos ter travado.
Uma guerra que os Americanos e os países da Nato não deveriam ter fechado os olhos, só por causa do frágil balanço da guerra fria.
Mas a esta distância temporal é tão fácil falar, e fazer juízos sobre a omissão dos outros países, ou sobre as experiências laboratoriais de guerra que nós e outros povos fomos sujeitos por causa do equilíbrio mundial.
O certo, é que, esses países, ao deixarem agonizar o nosso regime, esse preço foi pago em sangue, dos nosso jovens que para lá enviámos.
Ouvi, alguns versos desta canção, a alguns ex-combatentes, pessoas que fui conhecendo durante a vida, mas sem nunca a ter ouvido por completo, quando no YOUTUBE, fui á procura dela esta música e depois li o poema, como devem calcular fiquei incomodado:

"Quem nunca viu,
nem nunca andou a combater
não dá valor, nem sabe o que é sofrer
ter de matar, para não morrer
Saber sofrer sem chorar,
saber chorar sorrindo.
Lá longe
Onde o Sol castiga mais,
não há suspiros nem ais,
Há coragem e dor
e à noite com os olhos postos nos Céus,
rogamos ao nosso Deus que nos dê, a Salvação.
E quando alguém do nosso grupo cai,
ainda piora, ainda sofremos mais.
Faz-nos sentir, faz-nos pensar:
talvez da próxima vez,
seja eu quem vá tombar".

Penso não me enganar, quando digo que os da minha geração e das gerações posteriores, já não pensam nessa Guerra, já vai longe, está tudo em Paz.
Mas, quando passo em frente ao Forte do Bom Sucesso, junto à Torre de Belém, onde se encontra o memorial, da por nós apelidada de "Guerra Colonial" (por outros Guerra da independência, como em tudo depende da prerspectiva)... e vejo várias dezenas de metros de parede cheias de nomes, de soldados, de todos os ramos das Forças Armadas, de todas as famílias, de todos os portugueses, que tombaram na guerra de África, sinto-me triste e profundamente desiludido com a humanidade, em particular connosco Portugueses.
Triste, porque aqueles nomes não são meros nomes, não são uns quaisquer, são pessoas que tombaram por uma Guerra estúpida.
Triste, porque são nomes, e que os nossos então governantes, com o querer travar aquela guerra, cercearam de contribuir activamente para o desenvolvimento em todas as vertentes da nossa sociedade.
Penso sempre que por ali passo o seguinte: Como pode um povo mandar assim enterrar as suas jovens esperanças numa guerra, pela loucura de alguns e o lucro de outros?
Triste, por saber que a guerra não tem só um lado, e do outro lado, da parte do "então" inimigo, também "ajudámos" a erguer um muro com vários metros cheio de nomes que também tombaram.
E o ódio? O ódio que fica, o ódio que para muitos nunca passou.
Porque a dor da perda de um ente querido é dura.
Mas maior será a dor de perda de um ente querido, lá longe numa guerra que não tem sentido (uma guerra mandada travar, por aquele que agora alguns querem entronizar, não compreendo as esponjas que alguns querem passar pela história com o fito do lucro), como devem imaginar e alguns sentir, não é algo que se esqueça, não é algo que alguém consiga perdoar nunca.
Mas, como todos sabemos, nestes tempos negros, uma esperança nasceu, uma esperança de que os filhos da nação, poderiam ser parados de ser enviados para a Guerra.
Alguém tinha a coragem de dizer basta, e mais que o dizer esteve o agir, o fazer.
E eis que chega uma madrugada que acaba com isso tudo.
E nessa madrugada, naquela hora em que ninguém desconfia, a rádio passa o "Alerta" para os revolucionários.
O alerta que o Pronúnciamento Militar que andavam a congeminar estava pronto para ser levado a cabo.
Os Militares preparavam-se para acabar o que tinham começado, ou seja, iam acabar com o Governo Ultra-Conservador que tinham ajudado a colocar no poder, com a revolução de 28 de Maio de 1926, após o golpe militar que pôs fim à Primeira República.
A rádio toca então a SENHA 1 às 23 horas do dia 24 de Abril

A rádio tinha colocado a revolução em marcha, trazendo-nos o que hoje apelidamos de 25 DE ABRIL, este trouxe-nos novamente a Liberdade.
Para os pais e mães do nosso país, trouxe muito mais que a Liberdade, foi portadora de um grande alívio.
O alívio de saber que os seus filhos mais não iam para uma guerra estúpida e sem sentido, como o são todas as guerras. ,
E novamente a rádio, depois do alerta, dá o "tiro de partida", para a Liberdade, tocando a SENHA 2 ás 00 horas do dia 25 de Abril de 1974.

Não sei se alguma vez a minha geração alguma vez agradeceu, a quem fez o Pronunciamento Militar, mais tarde transformado em Revolução.
Não sei se esse agradecimento alguma vez teve lugar.
Eu, como não sou ingrato, quero deixar aqui o meu Obrigado, sentido e sincero, a todos os que tiveram a ideia, a todos os que participaram, a todos os que ajudaram a mudar.


Porque a partir daquele dia, eu sei-o hoje, não fui para a Guerra.
Eu deixei de estar na lista dos potenciais convocados para ir para a Guerra, nem eu nem todos os que nasceram a partir de 1956.
E isso, simplesmente isso, só isso, é motivo de regozijo, como também o é poder viver em Liberdade.
Muita coisa se passou durante e depois do 25 de Abril, tivémos avanços e recuos.
Mas o facto de não ter ido para a guerra, esse sim, permanece... já a Liberdade...
Quero particularizar o meu agradecimento a um Homem.
É a esse Homem em especial que eu agradeço, ao Sr. Capitão Salgueiro Maia, agradeço por tudo e mais alguma coisa.
Ele, que muitas vezes é a minha inspiração quando relembro as palavras que lhe são atribuídas, ao ter dito aos militares em Parada do Regimento de Cavalaria de Santarém:

"Todos nós sabemos que existem diversos tipos de estados: Os Estados Liberais, os Estados Social-Democratas, os Estados Socialistas, etc... mas nenhum deles é pior do que o Estado a que isto chegou. Eis porque é preciso acabar com ele"

É altura de deixar o passado para trás e olhar para o futuro mas sete palavras com sentimento eu queria deixar:
Obrigado! Muito Obrigado Sr. Capitão Salgueiro Maia.

25 DE ABRIL sempre.
Viva a Liberdade. Viva PORTUGAL
Siga por este site o desenrolar dos acontecimentos:
http://www.vidaslusofonas.pt/salgueiro_maia.htm - já sabe é só clicar em cima.


Madrugada - José Luís Tinoco
Dos que morreram sem saber porquê
Dos que teimaram em silêncio e frio
Da força nascida do medo
Da raiva à solta manhã cedo
Fazem-se as margens do meu rio.

Das cicatrizes do meu chão antigo
E da memória do meu sangue em fogo
Da escuridão a abrir em cor
De braço dado e a arma flor
Fazem-se as margens do meu povo

Canta-se a gente que a si mesma se descobre
E acordem luzes arraias
Canta-se a terra que a si mesma se devolve
Que o canto assim nunca é demais

Em cada veia o sangue espera a vez
Em cada fala se persegue o dia
E assim se aprendem as marés
Assim se cresce e ganha pé
Rompe a canção que não havia

Acordem luzes nos umbrais que a tarde cega
Acordem vozes, arraiais
Cantam despertos na manhã que a noite entrega
Que o canto assim nunca é demais

Cantem marés por essas praias de sargaços
Acordem vozes, arraiais
Corram descalços rente ao cais, abram abraços
Que o canto assim nunca é demais
O canto assim nunca é demais
ELE HÁ CARGAS FANTÁSTICAS NÃO HÁ? A BRIGADA NÃO ESQUECE OS BONS COMANDANTES, RELEMBRA-OS FREQUENTEMENTE E HOMENAGEIA-OS COM A DEVIDA HONRA E SENTIMENTO.

1 comentário:

Luís Alves de Fraga disse...

Meu Caro,
Do que conheço de si, eu sei de que lado o meu Amigo estava na madrugada de 25 de Abril: no lado certo! No lado que soube dizer BASTA.
E note que só os militares podiam finalizar com o regime não por lhe terem dado início, mas por ele não ter conseguido acabar com a guerra, tal como só o Povo poderá pôr fim ao liberalismo desumano se este não for capaz de se reformular.
Pense nisto.
Um abraço