As minhas cachadas no Geocaching

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quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Que saudades eu já tinha da minha alegre casinha

Meus caros bloguistas militantes.

Como é bom acordar, chegar à janela e ver o Tejo, a ponte sobre o dito, o Cristo Rei, a outra banda e mais umas quantas belezas que eu tenho o privilégio de ter, e ver de perto por morar onde moro.

Vejam bem. Eu vejo a trafaria, os barcos que passam no Tejo, os grandes paquetes que trazem a Lisboa gente bonita e sonhadora e que tornam a partir com essa mesma gente.

Eu vejo, também, bonitos veleiros, com as suas velas enfunadas, às vezes vejo regatas... quando as há (porque nós somos peritos em não aproveitar a nossa frente ribeirinha, mas isso fica para outro post).

Lembro que vi da minha janela aquela regata de barcos antigos que há tempos tivemos.

Vejo o por do sol, bonito e diferente todos os dias, e a Lua quando beija as águas do Rio e é romanticamente bonito.

E vejo os dias de sol e de tempestade, o Tejo muda todos os dias e eu dou por isso.

Penso que só vi uma vez golfinhos no Tejo, isso sim gostaria de o ver mais vezes.

O "bilhete" que eu pago, dá para ver este espectáculo todo que a bonita Lisboa me colocou à disposição.

E caros bloguistas militantes, vejo o Tejo quase desde o cais de Almada até ele se encontrar com o Oceano para lá do Bugio.

E perguntarão com toda a propriedade vocês, mas este tipo vive num condomínio fechado com uma excelente vista e deve pagar um balúrdio, só pode.

Não! Pois não pode. Não vivo num condomínio privado.Não! Também não comprei casa própria.

Não! Também não vivo numa barraca com excelentes vistas.

Vivo numa casa arrendada.

Sim- dizem vocês- mas deves estar a pagar um balúrdio de renda.

Não! - respondo eu- A renda que pago é bastante acessível, é 1/10 do que ganho (e eu ganho mal).

Chegámos ao busílis da questão, bloguistas militantes - o arrendamento versus a compra de casa por um lado, o preço do imobiliário em Portugal versus o preço do imobiliário no resto do mundo, por outro, e a adequação do preço praticado no mercado versus o custo de vida, ainda por outro.

Não vou abordar tudo isto , vai dar para 3 ou 4 postagens.

Ouvi hoje uma notícia que rezava mais ou menos assim, as imobiliárias estão cada vez mais a receber propostas de proprietários para vender as suas casas para comprar outras mais pequenas.

A economia influencia a subida dos juros que os bancos estão a praticar e assim está a ser incomportável o assegurar das prestações que esses proprietários tinham, a maior parte das prestações estão indexadas à taxa Euribor e mais não é preciso dizer pois o paragrafo já vai grande e há alguma gente a queixar-se que eu escrevo mal o português.

E escrevo, é verdade! Mas (e esperando que compreendam a minha mensagem), o que eu tenho para dizer, é mais importante que convenções gramaticais totalmente certas (que horror isto que eu disse, prometo melhorar).

Continuando, esta notícia tem sido recorrente desde a década de 80 do século passado.

Mais pormenor, mais por maior, de vez em quando, quando os juros sobem o mercado imobiliário ressente-se e lá estamos nós os Portugueses a queixar.

Na ânsia de se tornarem proprietários e comprarem "uma casinha", foram os Portugueses ao banco, influênciados pela publicidade enganosa dos construtores imobiliários, aliados aos bancos que "obrigaram" os governos inconscientes de então a dizer aos Portugueses: Comprem casa que o crédito é barato, vendendo-nos o "tango dos pequenos burgueses" (citando aqui o título de uma canção de José Jorge Letria).

Foi e é um fartar de vilanagem.

Os Portugueses julgaram comprar casa e venderam-lhes ilusões, e continuam a vender... e a comprar...

E agora?

Agora os Portugueses queixam-se e protestam, comprei uma casa, as prestações até as consegui pagar até agora, mas com o aumento dos juros, isto está a tornar-se problemático.

Pois é, os bancos tem neste momento em seu poder imobiliário que é arrestado aos Portugueses. Aqueles bancos que lhes "impingiram" crédito para os comprar.

E depois como fizeram e fazem uma campanha enganosa, não dizendo o "custo" real daquela compra, quando os Portugueses dão por isso, estão sem casa.

Estão sem casa, e os que conseguem pagar, estão sem vida,pois pagam muitas vezes ainda mais a prestação da casa e do carro.

E assim um mundo inteiro fica por conhecer, porque não há dinheiro para viagens, nem para a cultura nem para nada.

Só para nosso controlo, e isto são números "brutos" (valem o que valem), em Portugal somos 80% de proprietários (não interessa se felizes ou não) contra 20% de arrendatários, no resto do mundo sublinho resto do mundo, esta percentagem está em cerca de 70% de arrendatários e 30% de proprietários (isto em média).

Bom, o certo é que os proprietários no resto do mundo são menos que os arrendatários.

Cá no burgo, bem cá no burgo... é ao contrário.

Nós com esta ideia peregrina de ter casa própria, só podemos estar certos (com este meu mau português como é que se escreve a dizer que foi com ironia?...bom que se lixe, alguém deve ter percebido.)

Somos um país de ileterados funcionais, mesmo tendo boa visão e lendo as entrelinhas dos contratos bancários, como não percebemos de economia, somos sempre embarretados.

Mas, eu aqui cometi um erro propositado, para agora o corrigir, disse: Os Portugueses que compraram casa e pediram empréstimo ao banco - este é o erro.

Deveria ter dito, dever-nos-ia ter sido dito: Os Portugueses contrairam um empréstimo bancário de longo prazo (leia-se uma vida), e no final, se lá chegarem... e conseguirem pagar tudo, ficam com uma casa, que por causa dos juros bancários, custa quase o dobro do preço pelo que foi comprada.

Pessoal, não estão a comprar casa, estão a fidelizar-se eternamente a um banco... se é assim comprem acções, fica mais barato e é capaz de dar lucro.

É que, quando compram este empréstimo bancário, esquecem-se que não é só o empréstimo que tem de pagar, tem de pagar também o imposto autárquico, tem de pagar o condomínio, as futuras obras do prédio (e geralmente para isso sai mais um empréstimo), e isso pesa e muito na contabilidade da compra da casa, mas isto não é calculado nem vos é dito.

Tem de também pagar a especulação imobiliária, que os vários governos teimam em não travar, e que encarece o imobiliário, levando-os para preços superiores ao que se praticam nas capitais europeias.

Eu disse governos, leia-se o lobby dos bancos e dos patos bravos (leia-se construtores civis) que tem mais influencia nas políticas dos diversos governos e na corrupção das Câmaras Municipais que os eleitores tem com os seus votos ao elegerem esses poderes públicos.

Claro que existem honrosas excepções.

Não se compreende, porque é que o mercado de arrendamento em Portugal está tão caro como o do centro da Europa.

Não se compreende, porque é que em Espanha (e isto é só um exemplo) se arrendam casas a um preço 2 e 3 vezes mais baixo que aqui em Portugal, e já agora também se compram casas a muito menos que aqui e pelo preço que pagam a qualidade é maior.

Não se compreende porque é que o Estado, que é o maior proprietário do país (falo Estado no seu todo incluí autarquias, institutos etc...) não coloca no mercado para arrendamento e venda as casas que possuí (e estão devolutas) a um preço de mercado competitivo, obrigando a economia a mexer.

Este post já está grande, e eu vou voltar a este assunto, pois muito mais há a dizer.

Mas só como nota final, deixo-vos o seguinte, existe um instituto do estado que paga 3 milhões e 600 mil contos (não sei traduzir contos para euros...que básico) de renda por ano, já há muitos anos, para estar no local onde está.

Alguém está a ganhar dinheiro com isto, pois com aquele dinheiro, aos anos que o instituto lá está já tinham comprado um terreno e feito um prédio só para eles, mais moderno eficaz.

E agora para se rirem... o orçamento desse instituto só dá para pagar a renda... nem os salários dos funcionários cobre...

Com um Estado assim ... dá vontade de parafrasear Salgueiro Maia numa adaptação " Existem 3 tipos de Estado: Os Estados Democráticos, Os Estados Autoritários e o Estado a que isto chegou..." outra vez-acrescento eu .

Com um Estado assim ... como não estará o povo... E a pensar que cientificamente o Estado somos nós... "há dias que me sinto tão cansado" (abraracourcix dixit).

Autores: Silva Tavares e António Melo
Minha Casinha (versão original) - 1943

Que saudades eu já tinha
da minha alegre casinha
tão modesta como eu.
Como é bom, meu Deus, morar
assim num primeiro andar
a contar vindo do céu.

O meu quarto lembra um ninho
e o seu tecto é tão baixinho
que eu, ao ir para me deitar,
abro a porta em tom discreto,
digo sempre: «Senhor tecto,
por favor deixe-me entrar.»

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.

De manhã salto da cama
e ao som dos pregões de Alfama
trato de me levantar,
porque o sol, meu namorado,
rompe as frestas no telhado
e a sorrir vem-me acordar.

Corro então toda ladina
na casa pequenina,
bem dizendo, eu sou cristão,
“deitar cedo e cedo erguer
saude e faz crescer”
diz o povo e tem razão.

Tudo podem ter os nobres
ou os ricos de algum dia,
mas quase sempre o lar dos pobres
tem mais alegria.

ELE HÁ CARGAS FANTÁSTICAS, NÃO HÁ?

1 comentário:

Aninhas disse...

Gostava de saber, de quem é a musica original da "minha casinha"? Ando já há muito tempo à procura e não consigo encontrar.
Obrigada, desde já!