As minhas cachadas no Geocaching

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segunda-feira, 6 de agosto de 2007

A Guerra Civil

Cheguei à brilhante conclusão que somos um país de incumpridores.

Todos acusamos o Estado de isto e daquilo, mas esquecemos da regra básica e elementar, que o Estado somos todos nós.

Sim, todos nós.

Todos nós deveríamos exercer a nossa cidadania, para não acontecer os atropelos à Democracia.

Somos claramente um país de contradições.

E a estrada é uma das nossas maiores contradições Lusitanas.

Se por um lado reclamamos autoridade ( alguns até chegam ao absurdo de dizer que fazia cá falta outro Salazar...realmente existem pessoas que vão longe demais só para fazer valer o seu ponto de vista), mas dizia eu, se por um lado reclamamos autoridade e mão de ferro, por outro fazemos de tudo para passar entre as malhas da lei.

Ora os políticos já aprenderam isso (não fossem eles lusitanos e pertencessem cá á malta), e usam a técnica da Cenoura e do pau, tal e qual se faz com os burros (quanto a mim mal pois não se deve fazer mal aos animais, mas isso é para outro post).

Tenho presente os relatos que me fizeram da Dinamarca,

Neste país onde todos os condutores andam "direitinhos" e se querem acelerar vão para a Suécia que é um regime mais permissivo, e "por acaso" com mais acidentes de viação.

A cultura de responsabilidade da Dinamarca, onde os cidadãos Dinamarqueses sabem que o Estado são eles, vai ao ponto de avisar a polícia se o vizinho andar com os pneus carecas.

Nós, os Lusitanos, chamar-lhes-íamos: Bufos, delatores e outras coisas piores, pois é, mas eles não pensam assim.

O racíocinio deles é o seguinte, a estrada é de todos, o código é para cumprir, se alguém não cumpre põe em risco a vida de todos, e isso eles inteligentemente recusam de colocar na mão de inconscientes a vida de todos.

Sublinhe-se que a Dinamarca é dos países que menos acidentes de viação tem, onde os acidentes de viação por ter havido um, são notícia, e isto acontece raramente.

Ao contrário daqui que os acidentes de viação servem para os media fazer um aparato para contar quantas pessoas faleceram e fazerem reportagens tétricas.

A maior parte dos Lusitanos vai para a estrada, julgando que os outros são inimigos, e a estrada é o território a conquistar, por isso ... quando entram no automóvel, entram já com o espírito guerreiro e arrancam sem Misericórdia.

Por outro lado, é um absurdo a maneira como os jornalistas se referem ás estatísticas, dizem este ano houve menos X mortos que o ano passado, e eu pergunto-me sempre, mas esta gente que morre nos acidentes rodoviários ressuscita?

É que para além do modo leviano e tétrico com que são tratadas as pessoas que morreram na estrada (independentemente da sua culpabilidade ou não ), essas pessoas merecem respeito, e a sociedade merece respeito, e merece ser chamada a atenção para a GUERRA CIVIL que vivemos todos os dias, desde há uns anos para cá.

Não, os media não tem o poder de ressuscitar, como os crentes Cristãos dizem que Jesus Cristo teve.

Logo não deveria ser afirmado que houve menos ou mais mortos que o ano passado.

A notícia deveria ser tratada , quanto a mim, da seguinte maneira: Estatisticamente, houve mais X óbitos ou menos Y óbitos em comparação com o ano anterior.

Os media tem uma função educativa e neste caso deveriam ser usados para uma função dissuasora.

Somos mesmo um país de incumpridores, e pagamos a nossa factura no asfalto... e quando digo pagamos, paga a sociedade toda, paga as baixas médicas a quem sobrevive, paga pensões a quem se tornou deficiente, paga pensões de alimentos a quem ficou sem os entes queridos.

Sim, porque apesar das frias estatísticas, quem morre é sempre um ente querido de alguém, um pai ou uma mãe, o marido ou uma mulher, ás vezes a tragédia tolda uma família inteira.

O que é isso diferente de um "roquett" que cai num cenário de guerra ou de uma granada que decepa um soldado ou uma criança inocente?

Nada! Mesmo nada!

Somos todos inconscientes avestruzes que enterramos a cabeça na areia a ver se não é nada connosco.

É connosco, sempre o foi.

Ficamos sem seres humanos que fazem parte da nossa Sociedade, e que são importantes e são o mundo de alguém.

Deveríamos ser um país de delatores, como na Dinamarca, se esse é um dos preços que temos de pagar para acabar com a guerra, então força-

Será que a GNR e a BT se importariam...?

Será que toda a GNR e toda a Polícia querem contribuir para acabarem com a Guerra Civil?

Será que vão preferir continuar a assobiar para o lado, dizendo que o trânsito é da responsabilidade dos colegas da área e não multam como é o seu dever?

Será que a BT da GNR e da Polícia, vão continuar a fechar os olhos a pequenas infracções ou vão optar finalmente pela tolerância zero?

Temos que acabar com a Guerra Civil nas estradas, sigamos o bom exemplo da Dinamarca.

E sim, já fui multado.

Sim, fiquei lixado por isso.

Mas a verdade é que não cumpri, e quem não cumpre deve ser penalizado, e eu fui...

Se gostei?

Não, mas não teria sido multado se o código tivesse cumprido.


Mafalda Veiga - Balada De Un Soldado


Madre, anoche en las trincheras
Entre el fuego y la metralla
Vi un enemigo correr
La noche estaba cerada,
La apunté con mi fusil
Y al tiempo que disparaba
Una luz iluminó
El rostro que yo mataba
Clavó su mirada en mi
Con sus ojos ya vacios

Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José
Compañero de la escuela
Con quien tanto yo jugué
De soldados y trincheras

Hoy el fuego era verdad
Y mi amigo ya se entierra
Madre, yo quiero morir
Estoy harto de esta guerra
Y si vuelvo a escribir
Talvez lo haga del cielo
Donde encontraré a José
Y jugaremos de nuevo

Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José
Compañero de la escuela
Con quien tanto yo jugué
De soldados y trincheras
Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José

Há cargas fantásticas, não há? ... mas esta não é o caso

1 comentário:

iris7 disse...

Cuidado com a ortografia...ou isso é também defeito de país de incumpridores?

Outra coisa, a Dinamarca não é um país de delatores e o facto de não acelararem muito deve-se à sua geografia. Com a quantidade de ilhas e lagos, grandes e pequenos, o problema é não haver muitas rectas para se poder acelarar.
Fora das poucas autoestradas, o condutor descuidado que intenta a velocidade, logo tem de travar (às vezes a fundo) para não ir parar à água.
Quanto à Suécia, a velocidade permitida sobe apenas em 10km horários e são igualmente cuidadosos. Aqui não se brinca com a velocidade pois o "big brother" está à espreita e quando menos se espera já está filmado.
Até nos estacionamentos o rigor impera com as multas envolvidas em envelope plástico para não haver a desculpa de desaparecimento ecológico do papel.
Cuidado com o diz que disse pois o lá estar e lá conduzir, conta muito.
Quanto à "nossa" (lusitana) maneira de passar entre as malhas da lei não se deverá antes à pouca confiança que ela inspira?
Senão vejamos:
A velocidade aconselhada na maioria das curvas é muito inferior à possível de executar com segurança.
Curvas marcadas como perigosoas, são passíveis de serem feitas sem descida de velocidade e com quase nenhuma mudança de direcção.
Curvas perigosas não marcadas.
Curvas, perigosas ou não, não marcadas logo a seguir a uma elevação.
Ausência de indicação de cascalho solto...
Etc...etc...
Para ser respeitado há que dar-se ao respeito, não?