As minhas cachadas no Geocaching

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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Doggy Bag... ou o Saco dos restos para o cão

Olá Caros Bloguistas Militantes

Sempre fiquei consternado com as imagens que na TV passa e com a ideia de que existe fome no mundo.

Penso. Como pode isto acontecer?

Quando aqui mesmo neste nosso Portugal, vejo desperdiçar comida ... nos restaurantes, em cantinas, em bares... enfim o desperdício é enorme...

Mas o desperdício não é maior do que os olhares que através das objectivas da TV nos imploram por alimento... pois essas bocas já nem forças para gritarem têm... como desperdiçamos assim as vidas humanas?

E nós, silenciosamente, vamos desperdiçando os pedaços de comida, que, pelo menos, dariam força para esses seres gritarem por alimento... e fazerem ecoar o desespero.

Sempre assisti, em silêncio, mas horrorizado, àquelas manifestações de agricultores, que atiravam leite fora, laranjas para o lixo, destruíam tomate e sei lá mais o quê.

Vem-me sempre à memória o enorme Sr. Creosonte, do filme "O sentido da vida" dos Monty Python... que rebenta literalmente de tanto comer.

Para mim a ideia de um ser humano morrer à fome, é no mínimo abjecta, ver directamente na TV à hora dos telejornais quando estamos a jantar e não ver ninguém a indignar-se e mexer-se para dizer basta, não me entra na ideia.

E quando digo basta, não é das reportagens, não... É um basta à passividade política e económica que assobiam para o lado perante estas situações.

Como pode o mundo ocidental dizer aos 4 ventos vanglorianado-se que estamos no primeiro mundo, no mundo tecnologicamente avançado, se não conseguimos ajudar os da mesma espécie a sobreviver?

Não será esta uma guerra encapotada?

Existe sobre-população no mundo, somos mais seres humanos do que o planeta consegue aguentar, mas ninguém faz nada para contrariar esta tendênicia.

Alimenta-se uma postura de avestruz, contribuímos para que estes números se agravem, cavamos mais o fosso que nos separa desses nossos semelhantes, e contribuímos para que a população mundial aumente e o já preclitante desequilíbrio que isso causa seja mais acentuado.

Os hábitos rurais da idade média, não se perderam.

Quem tem fome e tem terras, como é o caso de muitos Africanos e Brasileiros, só para mencionar alguns, age como ainda nesse tempo estivesse.

E porque é que eu afirmo isto?

Porque estes nossos irmãos ainda praticam a cultura da idade média, em que eram necessários muitos braços para trabalhar a terra, para que se possa subsistir económicamente, e onde a mortalidade infantil era e ainda é elevada.

Nós, os ocidentais orgulhosos, que temos a tecnologia, não a partilhamos, pois se a partilhassemos, os nossos irmãos também quereriam contribuir para o equilíbrio da terra, assim como alguns de nós queremos.

Mas, não ... eles tem preocupações mais básicas a suprir... não podem estar com contemplações, chegar vivo ao fim do dia de hoje é uma batalha, nesta guerra que nós teimamos a não dar conta dela.

Mas algo temos de fazer, temos de começar por algo.

Por isso, lanço uma ideia, que apesar de ser seguida em alguns orgulhosos países desenvolvidos, é uma ideia a reflectirmos e a praticarmos.

A ideia é a seguinte:

Quem vai a restaurantes, paga a comida que pede.

Ora se paga a comida que pede, tem direito a ela.

Se não a come toda, porquê enviá-la para trás, para a cozinha onde será deitada no lixo?

Em alguns países, os restaurantes, dão á saída o "DOGGY BAG", ou seja, um saco com a comida restante que deixou na travessa, para o cliente levar para casa e que pagou.

O cliente recusar, é uma vergonha e os restaurantes não a aceitam de volta, e sejam eles restaurantes de luxo ou grandes cadeias de fast food.

Ou seja é a antítese do que cá se pratica, aqui no nosso burgo, vergonha é pedir os restos para se levar para casa... sim porque aqui temos de pedir... nos outros países dão-nos à saída.

Se alguém pedir os restos em Portugal, porque legitimamente tem o direito de o fazer, ainda se tem de justificar perante o grupo de amigos que os olha com desdém ou algo parecido.

Basta da nossa hipocrisia, se permitimos que os restos vão para o lixo, estamos no mínimo a contribuir para esta guerra, e não nospodemos queixar dos que nada fazem e podiam politicamente e economicamente agir.

Comecemos nós a pedir a paz.

Pressionemos, para que a "política dos DOGGY BAG" seja implementada no nosso país, rapidamente e em força, pois este será o primeiro passo entre muitos outros que temos para dar, para evitarmos o desperdício de comida, e para alertarmos as consciências políticas e económicas que temos de agir e erradicar a fome do planeta.

Cantata de paz - Sophia de Mello Breyner Andresen

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar

Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror

A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças

D'África e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados

Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado.

Ele há cargas fantásticas, não há?

5 comentários:

Marta disse...

Estou 100% de acordo a "política dos DOGGY BAG". Ainda no passado Sábado, num restaurante de Alcochete, sede do Parque Natural do Estuário do Tejo, fui olhada com desdém ao pedir para levar os restos de uma cataplana de tamboril para casa, responderam-me que não tinham caixas.

Luís Alves de Fraga disse...

Apoiado.
Vamos começar a fazer isso: aproveitar o que sobra, acima de tudo, porque é meu e, depois, porque o posso comer na refeição seguinte, evitando o desperdício.
Também é verdade que não contribuo para matar a fome a quem a tem... Mas evito o desperdício!

Paula disse...

Eu sei que não se trata de uma "manifestação demagógica" mas da realidade mais "pura e nua" ... somos muito frequentemente "burgueses esbanjadores" ... obrigada pelo conselho! Prometo lembrar-me da próxima vez que for ao restaurante!!

Op.Louca disse...

Essa tua ideia é genial...e não é de agora..se a minha memória não me falha!!
Não é que eu goste muito de dar restos ao meu au au...é um caozito muito esquisito sai à dona..mas de quando em vez, é o que lhe sai como manjar..uns restos..Ora se a dona os come...ele que se deixe de ser tão esquisitinho! ;)

Beijinhos

Cabo Napol "eao" disse...

E se nós nos associassemos e fizessemos pressão para que isto se tornasse realidade?