As minhas cachadas no Geocaching

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domingo, 16 de setembro de 2007

Imaginação e inspiração e o direito à indignação

Caros Bloguistas militantes

Compreendo Camões e as suas musas do Tejo.

Não é difícil alguém se inspirar, com a tamanha beleza que a vista de Lisboa para o Tejo nos proporciona.

Quantos escritores, poetas, casais de namorados, não se inspiraram em tão bela paisagem?

O Tejo faz-nos correr a imaginação.

O Tejo inspira-nos.

É um elemento intemporal, que é belo não só por estar sempre presente, mas porque existem coisas assim naturalmente belas.

Explicar o belo, no nosso estágio de desenvolvimento, é algo que não nos é tangível.

O Tejo e a sua paisagem são belos, ponto.

Imagino quantos e quantos comunicadores da palavra, escrita e oral, não se terão inspirado aqui?

Foi daqui que partiram os descobridores.

Foi daqui que os nossos antepassados deram novos mundos ao mundo.

Existem coisas que deveriam ser preservadas, pois só a envolvência contribuí para o despertar da nossa inspiração.

Por essas e outras razões deveríamos preservar esta paisagem.

Por estas e outras razões não deveríamos permitir aberrações.

O património quer-se cuidado, não abandonado nem desleixado.

Caros bloguistas militantes, vou-vos dar 2 ou 3 exemplos.

Belém é um local turístico, lindo, ainda bem que moro perto, pois nunca me canso de o ver.

Mas em Belém, a par dessa beleza, o que é triste, o que é degradante,e principalmente o que é revelador de um povo que não se interessa, temos as seguintes pecas:

1- uma fonte luminosa que só de vez em quando funciona, e nem sempre com as cores que iluminam água que já nos tínhamos habituado..

O jardim envolvente da fonte luminosa em Belém perdeu o seu fulgor, quando retiraram os brasões coloridos dos distritos, o fundamentalismo e a falta de jardineiros capazes, deu num jardim trivial, sem esplendor.

2- Quando as pedras do chão, nos caminhos circundantes estão soltas, revela desleixo e falta de respeito por todos nós, isto num local turístico, será preciso dizer mais?

3- Quando existe um descuidado tratamento dos locais mais visitados, o chão sujo, os canteiros mal cuidados, uma envolvência não cuidada.

4- No local da torre de Belém existe um lago artificial, para simbolizar que a torre esteve e estará sempre no meio do rio, mas esse local não está cuidado, tem muito lixo acumulado, ninguém o apanha... e ainda por cima para agravar a questão é um local turístico.

5- Nesse local, a relva não está tratada, as lages estão partidas, tanto falta de tacto turístico que até mete dó.

6- Depois temos as aberrações que o lobby do betão anda a fazer, os "patos bravos" portanto. Esses desqualificados mentais, que só vêem o lucro além do lucro, a quem devem ter untado as mãos para conseguirem que no Porto de Lisboa, se edifique, á beira rio entre a Torre de Belém e o Padrão, um hotel de luxo.

No local onde a inspiração é maior, devido à sua envolvência,o fino recorte e veia artística dos "Patos bravos" resolveram colocar um hotel de luxo.

Se fica bem ou fica mal, tanto faz, com os tempos a "gentalha" habitua-se.

E o mais grave é que não se vê ninguém a protestar.

Parece que aquilo tudo é a coisa mais natural do mundo.

Desculpem a expressão, mas que bela "merda" estão ali a fazer.

Estou como o Mário Soares, tenho direito á indignação.

Não veremos assim o Padrão do lado da Torre e vice-versa.

Mas não fica por aqui.

7- Na magnífica paisagem envolvente, já não bastavam as esferas de gás e os tanques da banática ( do outro lado do Tejo), já não bastavam os silos da Trafaria e da ESSo, já não bastavam os condomínios privados que a D.Emília (Presidente da C.M.Almada) e o Porto de Lisboa autorizaram, ainda estão a construir em frente ao forte do Bom Sucesso, um magnífico... condomínio fechado...pois está claro.

8- Para terminar, um problema que se arrasta à anos. Refiro-me à linha férrea e à estrada frente à zona ribeirinha.

O comboio para Cascais é magnífico, não haja dúvidas. É uma das linhas mais lindas que conheço.

Só que deveria terminar em Algés.

A estrada deveria ser desnivelada, aí de 500 em 500 metros, durante pelo menos 100 metros.

Porquê? perguntam os Bloguistas militantes.

Para deixarem o "povo" usufruir livremente do rio, sem barreiras artificiais- digo eu.

9- Existem falta de alternativas neste momento para chegar á torre de Belém, e ao padrão dos descobrimentos, para quem vai a pé.

Ou passa pela minúscula travessia aérea que foi construída frente a vela latina, ou vai pelo túnel que sai em frente ao padrão ou passa pelo túnel da estação de Algés.

É manifestamente insuficiente (enquanto não desnivelarem a estrada e o comboio não parar em Algés), e nota-se quando existem festas ou aos Domingos, que a passagem aérea está sempre sobre lotada.

Deliberadamente somos afastados do rio. A nossa inspiração vai-se desvanecendo por falta de contacto e "ambiência" com a fonte inspiradora.

Não cuidamos da mente, nem do coração.

Alheamos-nos e consentimos estes atentados permanentes ás fontes da nossa "culturalidade".

Alienados com o bem estar económico, que nos vendem ilusões de felicidade passageira, nada dizemos aos estragos que estupidamente os "patos bravos" e os arquitectos e outros técnicos e políticos sem escrúpulos que se intitulam "progressistas", quando na realidade nos vendem tigres de papel, nos impõem.

Pois caros bloguistas... é o país que temos, são os políticos que merecemos.

Acordemos que já é dia, não nos escondamos atrás "do sozinhos" não podemos fazer nada.

AQUARELA - TOQUINHO

Numa folha qualquer

Eu desenho um sol amarelo

E com cinco ou seis retas

É fácil fazer um castelo

Corro o lápis em torno da mão

E me dou uma luva

E se faço chover

Com dois riscos tenho um guarda chuva

Se um pinguinho de tinta

Cai num pedacinho azul do papel

Num instante imagino

Uma linda gaivota a voar no céu

Vai voando,

Contornando a imensa curva norte sul

Vou com ela viajando

Havaí, Pequim ou Istambul

Pinto um barco a vela,

Branco, navegando,

É tanto céu e mar num beijo azul

Entre as nuvens vem surgindo

Um lindo avião rosa e grená

Tudo em volta colorindo

Com suas luzes a piscar

Basta imaginar e ele está partindo,

Sereno, lindo,

E, se a gente quiser,

Ele vai pousar

Numa folha qualquer

Eu desenho um sol de partida

Com alguns bons amigos

Bebendo de bem com a vida

De uma América a outra

Consigo passar num segundo

Giro um simples compasso

E num círculo eu faço o mundo

Um menino caminha

E caminhando chega num muro

E ali logo em frente

A esperar pela gente o futuro está

E o futuro é uma astronave

Que tentamos pilotar

Não tem tempo nem piedade

Nem tem hora de chegar

Sem pedir licença

Muda nossa vida

E depois convida

A rir ou chorar

Nessa estrada não nos cabe

Conhecer ou ver o que virá

O fim dela ninguém sabe

Bem ao certo onde vai dar

Vamos todos numa linda passarela

De uma aquarela

Que um dia enfim

Descolorirá

Numa folha qualquer

Eu desenho um sol amarelo

(que descolorirá)

E com cinco ou seis retas

É fácil fazer um castelo

(que descolorirá)

Giro um simples compasso

E num círculo eu faço o mundo

(que descolorirá)

Corro o lápis em torno da mão

E me dou uma luva

(que descolorirá)

http://www.laboratoriodedesenhos.com.br/aquarela.htm - hoje arranjei-vos esta maravilhosa ilustração desta música vale a pena ir ver e ouvir.

ELE HÁ CARGAS FANTÁSTICAS, NÃO HÁ?

1 comentário:

Gomes disse...

E quem escreve assim não é disléxico!
Cumprimentos