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Toda a brigada tem um cabo... todo o cabo pode chegar a Imperador... todo o Imperador pode mudar o destino de uma nação ... todas as nações podem mudar o destino do mundo ou não...

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Velhos Sindicatos para que vos quero?




Ao olharmos para o panorama internacional e vermos as diversas convulsões na Sociedade, geradas por movimentos que não se bem de onde surgem, já nos tínhamos interrogado se esses fenómenos não chegariam também a Portugal.

Portugal é aquele país que como se sabe tudo chega mais tarde, as reacções são sempre mais tarde, só somos precursores no que toca a tirar-nos dinheiro dos bolsos mais facilmente, como tal, somos precursores da Via Verde e dos Multibancos.
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Tínhamos falado com pessoas que se interessam por política, e colocado a questão: Será que o formato e as atitudes dos actuais partidos, se não mudarem, se não estiverem atentos, se não acompanharem a vida da Sociedade, se continuarem ensimesmados, tendo uma cúpula de poder fechada e às vezes quase familiar, que não ouve as bases e até tenta acabar com elas, querendo gerar uma onda que é feita aproveitando os Media. Será que os partidos portugueses vão ter o mesmo caminho que estão a ter alguns partidos europeus?

Depois de debatida a questão, disseram que o fenómeno António Costa, a gerigonça, a paz social alcançada, o recuperar do deficit, a entrada de divisas através dos Turistas (que nos trará outro tipo de problemas), o bom desempenho da economia, mitigavam todo esse tipo de movimentos, porque o povo tinha motivos para estar razoavelmente contente.
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O facto é que, exceptuando o PAN, os partidos (mesmo os trazidos e incutidos pelos EUA, em relação aos radicalismos) que têm aparecido pouco ou nenhum significado têm… pelo menos por enquanto.

  1.Relacionado com este assunto, e sabendo que os Sindicatos são um loby poderosíssimo dentro dos partidos, há muito que observamos o fenómeno do Sindicalismo em Portugal.
Se muita gente tem razões para não gostar nem confiar nos partidos em Portugal… esta nossa opinião é bem sustentada pela alta taxa de abstenção e de votos brancos e nulos, se conhecessem o funcionamento dos sindicatos, então diriam que os Partidos são para meninos.

Os sindicatos em Portugal, são estruturas pesadas, antiquadas, com dirigentes que raramente são mudados.

Comparamos os sindicatos ao antigo politburo da Ex-União Soviética, mudaram os líderes, mas o resto do “bureau” continuava lá, e só eram substituídos por morte.

Já ouviram falar em controleiros?
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Se sim, sabem o que são. Se não ouviram falar, nós exolicamos: são as pessoas que em nome de um partido ou de um sindicato, estão lá para controlar, para ver se “não mijas fora do penico”, e se o fizeres, tens o politburo logo à perna.

Os sindicatos não são democráticos, colocam nas empresas ou noutros lugares chave, delegados sindicais da sua inteira confiança, às vezes acertam e colocam pessoas com capacidades, mas na maior parte das vezes os Delegados Sindicais, não estão lá para transmitirem ao sindicato os problemas dos trabalhadores na empresa, estão lá para servirem de correia de transmissão, entre o sindicato e os trabalhadores. Com isto têm a benesse de trabalhar umas quantas horas a menos por semana, e, se tudo correr bem, passam a dirigente sindicais, e nunca mais trabalham na vida… exemplos destes abundam por aí.

Não, os Sindicatos não são democráticos, porque controlam a eleição do delegado sindical, e assim controlam também a eleição dos órgãos do sindicato.

Os sindicatos refinaram a pseudo-democracia, os sindicatos raramente querem mudar de líder, o status quo existente, é-lhes favorável, não lhes interessa ter protagonismo, pelo contrário, quanto mais protagonismo mais visibilidade, e mais visibilidade mais se nota que eles não trabalham, por isso a visibilidade é geralmente só para um, para o líder, e quando este se reforma ou causa ondas de choque, mudam o líder.

Os sindicatos levaram este tipo de actuação para dentro dos partidos, só que nos partidos existe a ambição e o querer ser visível, é menos controlável do que um sindicato, é mais escrutinável, mas como lobby que é, actua em conjunto e consegue sempre ter deputados e gente deles dentro das cúpulas partidárias.  

Com isto tudo os sindicatos esclerosaram-se, não acompanharam a sociedade, raríssimo é o sindicato que acompanha o querer da sociedade.
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Sim consegue levar milhares de pessoas para rua, utilizando o velho “manual da manipulação das massas pela propaganda política”, mas, se virmos bem o nível de sindicalização em Portugal é baixo, está abaixo dos 30%, se não for menos.

Mas como são máquinas pesadas e com um marketing propagandístico bom mas em desuso, vão conseguindo vitórias de pirro.

Aliado a isto, o facto de as estruturas de cúpulas sindicais não mudarem, faz com que fiquem permeáveis ao grande capital.

O dinheiro tudo compra, e compra melhor quem está mais comprometido.

É que os sindicalistas, tal como os políticos, estejam eles no governo ou não, também têm família, e ambicionam grandes lugares para os seus filhos, tios, primos, sobrinhos, amantes etc…

E como estão perto do grande patronato, uma mão lava a outra e as duas lavam a cara, não sendo a primeira vez, nem a última que nas negociações, são deixados cair reivindicações essenciais, porque a empresa A ou B, arranjou um emprego para o filho do fulano C que estava a negociar, ou então que é lembrado subtilmente ao Fulano C que tem lá o familiar a trabalhar… e mais não é necessário dizer… o que dizem nas Tv’s é que as negociações foram duras… Pois imaginamos que deve ser duro ouvir: “Então você está com essa exigência que nós não podemos aceder, tendo cá um familiar seu a trabalhar…”

Os sindicatos ao longo dos anos deixaram de ser uma força viva que zelava pelos direitos dos trabalhadores, e, passaram a ser uma grande máquina que luta para sobreviver à custa e sustentada pela alienação dos direitos dos trabalhadores.

Obviamente, que não podem ser uns mãos largas, e vão obtendo aqui e ali migalhas, que é par anão darem nas vistas.

Os sindicatos da CGTP é que são peritos nisso, fazem muito barulho, mas depois assinam cláusulas piores que os sindicatos da UGT (que chegam a acordo mais facilmente), ou então as melhorias são tão insignificantes que nos fazem lembrar Much Ado About Nothing, de autoria de William Shakespeare, ou seja tanto barulho por nada. Os sindicatos fazem de tudo para sobreviver guerreando-se.

Os sindicatos dizemos novamente são estruturas esclerosadas, chefiadas por velhos sindicalistas retrógrados (sabem bem do seu ofício, mas é esse seu saber que contribui para o definhar do sindicalismo), que teimam em manter-se no poder, teimam em não renovar, e teimam sobretudo a manter a estrutura igual, mas refinada do politburo do soviet supremo.
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Os sindicalistas, como dizíamos atrás, fazem de tudo por andar na sombra, não possuem ambições imediatas de subida, porque sabem que perderão tudo se o fizerem.

Não acreditam? Reparem bem:

Pró: Enquanto forem dirigente sindicais mantêm o seu posto de trabalho na empresa, e, melhor, evoluem na carreira sem estarem lá, sem horário de entrada, também não têm de saída.
Contra: Se forem afastados da Direcção do sindicato, voltam ao posto de trabalho e não tiveram formação, têm de cumprir horários, cumprir ordens, é que picar o ponto é lixado, com horários de entrada e ás vezes o de saída nem por isso.
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Pró: Como sindicalistas têm, viagens gratuitas para congressos, seminários, quilómetros e gasolina paga para o seu carro, acesso a férias mais baratas dos protocolos do sindicato, e não, não são numa espelunca qualquer, é tudo nos locais do bom e do melhor. Representam o sindicato na União Europeia, na OIT e noutros organismos internacionais e são pagos por isso (e bem pagos) se forem eleitos para cargos, o que implica mais viagens e estadias fora do país
Contra: Se sair de dirigente perdem tudo o que está acima se voltarem para o local de trabalho, ou seja pagam gasolina, quilómetros, viagens sai-lhes do bolso.

Pró: Despesas de representação, não tem dias de férias certos, sendo que gozam todos os fins-de-semana prolongados, saem mais cedo à sexta-feira, leia-se não vão da parte da tarde, alguns até saem mais cedo à quinta…
Contra: Se sair de dirigente tem de ser o próprio a pagar tudo, tem de sair a horas, têm 22 dias de férias.
Havia mais para dizer, mas pensamos que já chega, por isso Democracia nos sindicatos?
Isso é bom para os outros…

2. É aqui que entra a parte dos fenómenos que se estão a passar na Europa, as convulsões que acima nos referimos, geradas por movimentos que não se bem de onde surgem, chegou a nosso ver a Portugal, claro por outra via.

Sem surpresa vos digo, pela via Sindical.

Não chegou pela via dos sindicalistas que atrás descrevemos, mas sim por alguém que abriu a pestana e viu uma oportunidade, e agarrou-a.

E agarrou-a tão bem que conseguiu parar o País, conseguiu colocar tudo em convulsão.

E o fenómeno não vai ficar por aqui, porque, apesar da contra informação governamental, apesar do silêncio dos partidos de direita, apesar da tímida reacção dos partidos de esquerda, e da posição dúbia dos sindicatos tradicionais.

Este fenómeno via fazer mossa, no Sindicalismo Português e o fenómeno vai-se estender, mais dia, menos dia aos partidos. Recordem-se que como dissemos atrás e agora mais claramente os Sindicatos é que “manobram” os partidos (uma parte a outra quem manobra é o grande capital).

O defeito desta greve dos Camionistas é eles não saberem transmitir bem as suas reivindicações.

Se um camionista ganha mal? Sim ganha.
E para ganhar mais e chegar a uns míseros 1.500 €, têm de trabalhar mais de 14 horas por dia.

Ou seja, estão a trabalhar o dobro ou quase o dobro do que deviam.

O princípio do Sindicalismo do fim do Séc. XIX 8x8X8 (8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas de lazer), não está implementado naquela classe (relembramos que outros povos da europa tiram esta quantia a trabalhar semana e meia).
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E isto não acontece só na classe dos camionistas, acontece em muitas outras classes, desde administrativos a técnicos, passando por marinheiros, taxistas etc… e muitos outros. Só que a diferença, neste momento a classe dos camionistas, não está representada pelos sindicatos que no ponto 1 nos referimos. Está representada por um sindicato que não tem “rabos-de-palha” e negoceia duro, como se negociava no início do movimento sindical.

Acresce que com isto, os Camionistas foram directos ao ideal europeu, aos princípios da subsidiariedade, aos princípios que nos andaram a vender que todos os europeus são iguais e que tendencialmente os salários deveriam convergir.

Eles foram direito à ilusão que nos venderam, a muito longo prazo, e querem essa ilusão já.

E é por isso, que achamos que com esta Greve dos Camionistas, o fenómeno que se está a passar na Europa chegou agora a Portugal.

Como vimos escrito no Facebook: “Entrou um Pardal no Galinheiro, imaginem se tivesse sido uma Raposa.”

A Brigada está expectante a ver no que isto dá, e está sempre, sempre pelo direito justo dos trabalhadores.

Tenho muitos galhardetes, bonecos e bandeirinhas
Tenho muitos calendários com vaidades de maminhas
Tenho muitos amoletos p'ra que a estrada me ilumine
Tenho sonho, tenho cama, a minha casa é a cabine.

Sou camionista, sou o maior
Sou camionista, sou o maior
Tenho a minha auto-pista
Onde sou rei e sou cantor…

Tenho vinte e quatro rodas e cavalos p'ra puxar
Tenho um rolo de papel p'ra quando me quero assuar
Tenho duas tatuagens, muitas curvas por fazer
Uma diz amor de mãe, a outra diz talvez.

Tenho sono, tenho fome, mas nunca quero parar
Só não sei por que encosto quando vejo um polegar
Tenho braços bué da fortes que é p'ra agarrar no volante
Mas sinto logo uma fraqueza quando ligas o cantante.

Sou camionista, sou o maior
Sou camionista, sou o maior
Tenho a minha auto-pista
Onde sou rei e sou cantor…



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