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Toda a brigada tem um cabo... todo o cabo pode chegar a Imperador... todo o Imperador pode mudar o destino de uma nação ... todas as nações podem mudar o destino do mundo ou não...

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Esquerda Volver

Andam o PS, o BE, o PCP, e outras Esquerdas com medo de assumirem o que são.
Ou seja são de Esquerda. 
E, agora afirmo o óbvio, é que se são de Esquerda, obviamente que não são de Direita.
Por isso seguem as ideias e ideais de Esquerda e não os de Direita.
Poderão estas Esquerdas ser divergentes em algumas matérias? Obviamente que sim, por isso é que são partidos diferentes, e assim se constituíram, porque o caminho que querem seguir, em algum lugar se separa.

Mas, e saliento isso, também são convergentes, na grande parte da jornada que percorrem, como por exemplo na sua ideia de Justiça, na sua ideia de Solidariedade Social, na defesa dos Direitos dos Trabalhadores e também noutros direitos fundamentais.

Faço aqui um reparo, à Direita o PSD e o CDS/PP, são dois partidos e não são só um, e também têm um caminho comum que a dada altura se apartam, e a conclusão é óbvia, é que se assim não fosse não seriam dois partidos mas sim um só.

Para os críticos de Direita, segue já este primeiro aviso: Este Governo (2011-2015) teve a sua génese numa coligação pós-eleitoral, e só assim foi conseguida a maioria. Não foi o programa do CDS/PP que foi sufragado e ganhou, foi o do PSD que melhor se posicionou e que embora não tendo a maioria, conseguiu que com alianças fosse governo. Foi esse programa que nos foi imposto (digo isto porque já sei que vão aparecer os simpatizantes e praticantes de Direita, que virão dizer que o BE e o PCP são radicais...mas, analisando bem também o é o CDS/PP nas suas políticas de Direita.

Sim, eles (PSD e CDS/PP) também são divergentes e têm divergências profundas, e são-no em muitas políticas, e no caminho que querem seguir, mas…souberam reconhecer que para governar, para mais facilmente chegaram a esse desiderato, conseguiram colocar de lado as divergências e fazer o seu melhor.

O problema (para nós todos) é que o seu melhor, é o seu melhor para as grandes multinacionais e não para  a maioria do povo, por muito que nos queriam fazer entender o contrário. E estes partidos estão rendidos a estas multinacionais (mais um que outro), e o melhor que conseguiram foi esta política de Direita monopolista e mercantilista.

O resultado disso foi para nós (povo) o pior que nos podia ter acontecido, constatamos que após este governo (2011-2015) tudo está nas mãos do capital que ninguém sabe a que nacionalidade pertence, nem sequer o seu rosto.


Agora a Direita diz que ganhou e preparam-se para formar Governo e privatizar o restante, vão-se assim os anéis e os dedos, e mais alguma coisa se houver.

E ameaçam-nos com um terrível papão, quando dizem que uma união de Esquerdas significa eleições lá para Junho, e isso é instabilidade política de que Portugal não precisa. Mas queria relembrar que o mesmo foi dito da Coligação PSD/PP, quando se formou, e infelizmente aguentou-se 4 anos apesar do "Irrevogável" esforço do povo para que isso não acontecesse.

Tivemos em portugal um Sheriff de Nothingam às ordens de um João Sem-Terra, o povo disse-lhes que não, que quer o Robin Wood e o Ricardo, mas eles insistem em fazer-se de moucos.


Mas analisemos mais ao pormenor:

Em 2011 os resultados foram:
PSD        teve          38,63;
PS           teve          28,05;
CDS        teve          11,74,
CDU       teve            7,94
BE          teve             5,19

Ou seja a Direita, a futura coligação teve em 2011 uma Maioria Absoluta inequívoca obtendo em termos percentuais 50,37 % dos votos, e assim governou.

Já em 2015 os resultados são muito diferentes:

PSD+CDS/PP (PAF)       teve         38,55;
PS                                     teve         32,38; 
CDU                                 teve           8,27
BE                                    teve        10,22%
PAN                                 teve          1,39 %


Aqui podemos fazer várias leituras, a soma do PSD com o CDS/PP é inferior ao resultado do PSD sozinho obtido em 2011.


Uma leitura (mais maquiavélica) que se pode fazer é dizer que o CDS/PP foi absorvido pelo PSD e desapareceu.


Outra leitura mais realística é que a direita desceu 11,82% (como dividem entre eles a percentagem da descida é com eles), e não obteve maioria, nem se aliando ao PAN.

Se olharmos para o resultado de 2011, nenhum partido obteve a maioria absoluta, só fazendo uma coligação (o futuro PAF) é que conseguiram uma maioria inequívoca.

Agora em 2015, o cenário inverteu-se, e o PS com o BE e o PCP obtêm uma maioria de 50.87 %, mais 0,50% que a maioria de direita em 2011.


Foi em 2011 a 2015, fruto da maioria por se ter coligado PSD e CDS/PP, dada a possibilidade à Direita de governar em coligação com o programa do PSD (relembro que  o CDS/PP disse cobras e lagartos do programa do PSD e que depois veio apoiar e a governar com ele).


Agora em 2015 querem-me convencer que a Esquerda que tendo obtido uma maioria de 50,87% mais 0,50 % que a Direita em 2011, não pode governar?

Isto realmente não há nada como a Direita ter os Media na mão para subverter estas lógicas, e querer impor a sua vontade.

A maioria em 2015 está inequivocamente do lado da Esquerda (sendo a Esquerda muito diferente uma da outra), como em 2011 esteve do lado da direita (sendo que as direitas também não são iguais, e todos sabemos que não se gramam una aos outros).

Mas porque é que não quer a Direita que a Esquerda governe?

Uma das razões é que não são eles que iriam dirigir os destinos do país, essa é a óbvia.


Tivemos com este governo de Direita, uma política onde perdemos direitos como cidadãos, onde foi privatizado e liberalizado o (pouco) bem comum que possuíamos, e ambos os partidos no governo, apesar das suas diferentes visões, seguiram uma política comum, e se pelo meio houve alguns desafinanços (e não foram poucos) rapidamente corrigidos (bem ou mal), mas continuaram a tocar.
Não concordo com a política que os de Direita que nos impuseram, foi uma política de Direita Radical, fora da matriz e da essência dos seus partidos, eles não foram só além da Troika, foram além da sua essência como partidos, refinaram, mas reconheço-lhes que se souberam entender e no entendimento souberam-se manter, e foram mais longe do que se propuseram.

Sim, foram longe, porque leram e souberam aplicar o que leram, e o que leram foi nada mais nada menos que o mestre Maquiavel, no seu livro “Príncipe”.

E, como bons alunos, aplicaram o que o Mestre preconiza, ou seja, quando tiverem que governar estrangulando direitos e aplicando austeridade, que esse mal seja feito todo de uma só vez.

Foi o que fizeram, e depois do mal e da caramunha (significado de caramunha: fazer mal a alguém e queixar-se, como se fosse vítima, sem se revelar como autor do mal) feita, lá foram aplicando novamente o livro de Maquiavel e foram dizendo que estavam a pensar em dar aumentos, e outras promessas (não deram, mas prometeram que davam).
E eis que chegaram as eleições, e, nesta altura fizeram-se de mortos, mudaram o nome dos partidos, passando a chamar-se coligação, e ocultaram o mais possível os protagonistas que aplicaram tudo aquilo que sofremos. E o pior é que  o fizeram quase brilhantemente….digo quase porque não conseguiram a desejada maioria absoluta.

Quero no entanto realçar que não sou radical a ponto de dizer que tudo foi mal feito, existiram pontos positivos na actuação deste governo de Direita (2011-2015).

Mas as Esquerdas também são capaz de fazer o mesmo, estou a referir-me ao facto de se conseguirem entender e não ao facto de aplicarem Maquiavel e os seus métodos claro está.

É que este é o tempo de entendimentos, não é o tempo das políticas mais radicais como aquelas de se sair do Euro (que, refira-se, se nada for feito, vai ser uma inevitabilidade, repito e sublinho se nada for feito).

Aqui neste aspecto concordo com o PCP, devemos preparar-nos para o pior cenário, mas acrescento…esperando que ele não aconteça, mas não faz mal nenhum irmos preparando para uma questão que a acontecer será dolorosa.


Claro que os que são conservadores, ou  liberais, ou cristãos-democratas e ou de direita, ou os que são tudo nisto num só, claro que não vão concordar (aliás nunca irão concordar) que a Esquerda se una e governe.


As razões são óbvias, e até ficava mal se não as dissesse, uma das razões prende-se com o seguinte, para eles as políticas de Esquerda não estão dentro dos seus horizontes cognitivos, não são a sua essência, são a antítese daquilo que defendem.


Mas a principal razão é a seguinte, é que se se forma um governo de Esquerda e este resulta, depois, depois… nada irá ser como dantes, voltamos a ter de negociar com os trabalhadores e a Segurança Social Pública, e a Justiça, e os seguros privados e as privatizações.
Existe uma matriz convergente na Esquerda, assim como existe na Direita, e é por esse caminho que a Esquerda, ou melhor as Esquerdas têm de ir e convergir.

Se sei que o principal adversário do PCP é o PS? Sim, sei.


Se sei que o BE também é adversário do PS, e que o PCP também não fica atrás nas suas desconfianças?, Sim, sei, claro que sei.
Mas também sei, que o Povo e o seu bem estar, os trabalhadores e os seus direitos, que a saúde e o seu Serviço Nacional de Saúde Universal independentemente da raça, cor, religião e fortuna, são bandeiras comuns aos 3 partidos, e estando isso em causa, são motivos mais que suficientes para que exista uma união à Esquerda.

Se entretanto me perguntarem se vai ser fácil uma governação à Esquerda?


Não, não será fácil, e vaticino que também não será feito o caminho das pedras.


Se existe a possibilidade de escolhos e divergências numa governação à Esquerda?

Claro que sim, claro que vão existir dificuldades, e que os nossos adversários estarão atentos, e os Media muito mais, e irão vasculhar tudo e mais alguma coisa.

O facto é que já sofremos muito às mãos desta direita, e o povo votou numa mudança, não é para que tudo fique na mesma.

Mas, existe um ponto importante, que eu não quero deixar passar em claro.


Eu, não acredito, nas frases do género “Só nós é que somos a alternativa, só nós é que conseguimos”, isso para mim não só não é verdade, como também não é argumento. É mais verdade dizer, “A nossa alternativa é diferente, é menos dolorosa, tem direitos, liberdades e garantias, mas estamos abertos ao diálogo, e todas as medidas positivas que beneficiem o nosso povo e o nosso país, e que não empobreçam a população são caminhos que podem contar connosco. Podem contar connosco para fazermos o que prometemos”, sim nesta última afirmação eu acredito pois é mais plausível e mais realística e abrangente.


Por falar nisso, O PS TEM DE ASSUMIR ERROS DO PASSADO

E afirmo com frontalidade: O PS não é o Diabo que pintam, nas também não é o Supra sumo da Barbatana, existiram coisas muito certas que foram feitas e opções que se revelaram menos boas/eficazes.

É verdade que na sua governação o PS cometeu alguns erros crassos, que optou por estratégias que não foram as melhores. Também não é menos verdade, que se o digo agora é porque na altura em que essas estratégias e erros que foram cometidos, quem tinha a governação possuía informação assimétrica e mediata, e como os governantes não têm, infelizmente, bola de cristal, acontece cometerem-se erros.

Eu sou dos que têm a opinião que deveríamos fazer uma “MEA CULPA”, ser sinceros e dizer ao povo, ou seja a todos nós, que optámos seguir um caminho que achávamos na altura que era o correcto, mas que se revelou não ser o mais benéfico para todos nós.

Mas também e ao mesmo tempo relembrar o povo, ou seja a todos nós, que existiriam benefícios (e não foram poucos) na governação Socialista, e que graças a essa governação, assistimos a avanços muito positivos e promissores, que hoje ainda estamos a beneficiar como povo.

Não, não me estou a referir a nível económico, porque quanto a esses avanços económicos nós já sabemos como é que são, ou seja, se a economia está em alta, nós estamos em alta, se estiver em baixa, nós seguimos a tendência. Estou a  falo daqueles avanços que orgulham a humanidade, os avanços tecnológicos, culturais, na ciência, no bem estar de todo um povo, e esses sem dúvida que o PS, na sua governação, em qualquer dos seus governos tem dado um excelente contributo.

Por isso, uma União à Esquerda é necessária, porque estamos do lado certo (do nosso ponto de vista está claro) da barricada, e temos ideias e ideais que o sustentam.

Neste momento a Esquerda está a deixar-se ir no jogo da Direita, que habilmente está a minar e a subverter toda esta tentativa de União, e está a fazê-lo logo à nascença ( digamos que politicamente a direita não faz mais que a sua obrigação, que é tentar aniquilar o adversário), e ao fazê-lo e a Esquerda a responder a esse repto, está a ir atrás do engodo que lhe estão a lançar, em vez de tentar ter a iniciativa.

A direita tem uma arma que não é de desprezar, que é a comunicação social. Quanto a esta questão, as Esquerdas avisaram o PS atempadamente, mas o PS não quis ouvir.

É que quando foi da abertura dos MEDIA aos privados (já lá vão 20 e tal anos), a Esquerda avisou o PS que os grandes poderes da Direita (refira-se os que têm dinheiro) iam tomar de assalto os Media.

Bom, foi o que aconteceu. (para não ser faccioso, também digo aqui, que parte da direita também se queixa dos Media, para mim não possuem tanta razão de queixa como a Esquerda, digamos portanto que os MEDIA ficaram em roda livre, e que não sei se não estão a ser prejudiciais ao país com esta sua postura, ficará para outras núpcias esta análise).


A verdade é que hoje em dia, o que se constata, é que a Esquerda não tem um único jornal de referência, onde possa transmitir as suas ideias e os seus ideais, como por exemplo tem a sociedade francesa ou outros países que  privatizaram mas com sentido de equilíbrio.

O facto, e voltando à questão, há muito que a Esquerda está a responder aos ataques dos adversários, e não tem a iniciativa de ataque, e isto meus caros, quem joga no campo do adversário tem diversas desvantagens, uma delas é a  de não conhecer o terreno e a outra é de não ter as tropas posicionadas como deve de ser, a terceira é não poder antecipar os acontecimentos nem controlar esses mesmos acontecimentos dando essa iniciativa ao adversário.

A Esquerda tem de ir a jogo, com a sua iniciativa, e no seu terreno, até porque o árbitro é deles e já o demonstrou claramente.


E se daqui a  6 ou 7 meses tivermos que ir novamente a eleições que seja, que eu saiba as revoluções nunca foram lideradas por aqueles que seguiram os guiões pré-feitos, ou então seria dar isto ao heroísmo desportivo do marechal da Cornualha.


"o Heroismo Desportivo do Marechal da Cornualha"

Chegou o mensageiro ao Quartel-General
Trás de notícia que o heróico Marechal
Ao tomar banho nas águas do Nilo
Foi atacado por um crocodilo
Corre sentinela começa a berrar
Entra no quartel a gritar.

Às Armas!
Às Armas!
Às Armas!

Sai do quartel toda a guarnição
Pernas abertas e armas na mão
Chegam à zona do acidente
Está o crocodilo todo sorridente
Com a boca aberta e um escudo invisível
Sai de lá de dentro uma voz terrível.

Socorro!
Que eu morro!
Socorro!

Um general estuda a situação
Convoca a Junta de Salvação
Vem a Marinha, vem a Aviação
Chegam estrangeiros em legião
Dispõem-se as frentes espera-se o sinal
e na hora H grita o general:

À carga!
À carga!
À carga!

Chove a metralha por baixo e por cima
Bumba que bumba e bimba que bimba
Rebentam bombas, minas, granadas
Chovem os mísseis e as morteiradas
E de entre o fragor da grande descasca,
ouve-se o Marechal à rasca :

Cuidado!
Ao lado!
Cuidado!

Em 10 minutos está tudo acabado
O inimigo foi dominado
Um homem-rã abre o animal
E de entre o fumo surge o Marechal
Muito enfarruscado, bela cueca à risca,
o heróico esportivo fadista

Sentido!
Silêncio!
Sentido!

Chefes, sub-chefes mortos e aleijados
Todos eles foram condecorados
E o Marechal numa jantarada
Recebe a ordem da Torre e Espada
Brinda o Presidente, brinda o general
Brinda ao Secretário – Geral

À glória!
Vitória!
Vitória!

Desde esse dia sempre que se lava
Quer o marechal 4 forças de guarda
Uma aos esgotos, outra às torneiras
uma para as frentes e outra para as traseiras
E se acaso sente que o pica um Mosquito
Berra logo o herói aflito:

Às armas!
Óh Guarda!

Às armas!





A BRIGADA ESTÁ AQUI PARA O QUE DER E VIER, SEMPRE DE PRONTIDÃO!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Profundidade Democrática ou Demagogia Barata?



Já sabemos que, os que comentam de Papagaio de ouvido (ou seja, ouviram a opinião ali de determinada pessoa, e depois vão papaguear essa opinião sem sequer reflectirem sobre ela) vão avançar com argumentos demagógicos, mesmo sem antes ou sequer terem lido o artigo todo...não faz mal, já estamos habituados a conspiração de estúpidos... com esses não perdemos tempo.

Vamos também assistir a fundamentalistas irredutíveis, que não ouvem argumentos de nada nem de ninguém,.. com esses também não debatemos.
Também vamos ver opiniões contrárias às nossas, e porque são bem fundamentadas e lógicas respeitamo-las e temos todo o gosto em debater pontos de vista e ideias com essas pessoas.

A Democracia tem custos, tal como todos os outros sistemas políticos têm custos, sejam eles de que tipo forem.
Todos têm custos monetários, outros além dos monetários têm custos nos direitos, liberdades e garantias, assim como em vidas humanas, humilhações etc...

Fazemos desde já aqui a nossa declaração de intenções:
Somos defensores, do sistema de dupla câmara no ordenamento Democrático e Republicano Português ,e totalmente contra a redução do número de representantes do povo nos Parlamentos ou seja Deputados.
A Câmara Alta ou Câmara Baixa ou Senado e Congresso, ou Senado e Assembleia, é indiferente, não é importante o nome que lhe dão, o importante é que cumpra o espírito Republicano de Participação Democrática, que as mais altas e nobres regras lhes impõem (nobres regras na República é um trocadilho giro).
Contudo, e sublinhamos, e isto é importante, para depois não virem com argumentos dos "Ah e tal e Se", nós defendemos a implementação destas duas Câmaras com REGRAS CLARAS, passamos a nomear:

  • As INCOMPATIBILIDADES DEFINIDAS (como por exemplo os advogados em exercício não poderem ser deputados - pelo menos na câmara baixa ( a que mais frequentemente legisla, não na representativa das profissões- a câmara alta); 
  • LIMITAÇÃO DE MANDATOS, com a Proibição de Acumulação de Cargos (excepto os definidos na Câmara Alta, onde tem as profissões e autarcas etc...representados); 
  • CIRCULO MISTO DE ELEIÇÃO - CÍRCULOS UNINOMINAIS aliado a um CIRCULO NACIONAL complementado pelo método dos restos;  
  • LUGARES VAZIOS representando os votos Brancos e Nulos; que contariam para as atribuições de mandatos. Esta medida implica uma responsabilização maior dos Deputados. Se o povo está descontente as cadeiras ficam vazias.
  • VOTO OBRIGATÓRIO, a Democracia não apareceu do além, tem custos, tem direitos e tem deveres, um dos deveres é ir votar e um dos direitos é ser-se representado por aqueles que elegeu, e estes  (deputados) prestarem-lhe contas.
  • REPRESENTAÇÃO DAS PROFISSÕES / SINDICATOS / "CORPORAÇÕES" na câmara alta; 
  • SUBDIVISÃO MENOR E ADEQUADA dos círculos uninominais (câmara baixa); 
  • OBRIGATORIEDADE DOS DEPUTADOS e SENADORES terem dias e horas acessíveis para receber os cidadãos, e serem por eles questionados e receber deles queixas e darem satisfações e informar sobre os projectos.
  • OBRIGATORIEDADE DOS MINISTROS SEREM MEMBROS DO PARLAMENTO, só assim os poderemos responsabilizar politicamente, são eleitos como todos os outros e não poderem dizer (como agora dizem) que foram escolhidos pelo 1º ministro e só a ele têm de dar contas e não ao povo. QUEREM SER MINISTROS SUJEITEM-SE A VOTOS. Assim os Partidos teriam de escolher com mais cuidado as suas listas de deputados.
  • OBRIGATORIEDADE DE SER NASCIDO ou RESIDIR no CÍRCULO ELEITORAL pelo qual se é candidato à pelo menos 5 anos, para evitar os paraquedistas.
  • A REGULAMENTAÇÃO DO LOBBY, para que não existam aqui "nebulosas", se existem interesses esses interesses têm de estar identificados e regulamentados.
  • PAGAMENTOS CONDIGNOS à condição de DEPUTADO, mas com as regras da Suécia.
  • Obrigatoriedade de Listas Paritárias, em ambas as Câmaras.
  • LIMITAÇÃO DE MANDATOS - em todas as CÂMARAS limitar o número de mandatos a 3.


Quadro mostra o número de Deputados por Distrito - Não estão contabilizados aqui os círculos Europa e Fora da Europa, que elegem 4 deputados.

Não compreendemos, depois desta exposição que fizémos (e que andamos à muito tempo a falar e a ouvir falar nos corredores, nas conferências, nos seminários), que os Senhores da Cidade (sim nós somos da Cidade) queiram retirar às outras partes do território nacional a representação exígua que neste momento possuem.
Sim , retirar representação a quem não vive na cidade, é o que vai acontecer, com demagoga ideia de redução dos deputados, mas o estranho (ou talvez não) disto tudo é que ninguém fala de responsabilização de deputados, da aproximação aos eleitores, mas só colocam os holofotes na diminuição do número de representantes do povo na Assembleia. Mas como todos constatamos, é uma verdade de "La palice" , QUEM REPRESENTA MUITOS NÃO REPRESENTA NINGUÉM, e com a diminuição do número de Deputados eles vão representar demasiados eleitores.
É que isto de falar é fácil implementar as medidas reais, que todos os cidadão esperam, é que é mais complicado...sempre complicado.
Os órgãos de assembleia, são os órgãos mais importantes da República e da Democracia.
Lá o povo tem de estar representado, diria mesmo BEM REPRESENTADO, em número, género e qualidade.
Não é diminuindo o número de deputados que essa representação melhora, isso é pura DEMAGOGIA.
É que, já se constatou, os que defendem DEMAGOGICAMENTE a diminuição do número de deputados, com argumentos (entre outros) que os DEPUTADOS CUSTAM MUITO DINHEIRO À NAÇÃO, são os primeiros a ATULHAR os Ministérios, Secretarias Gerais e outros órgãos, de partidários fiéis a si.

Gastam assim, muito mais, por essa via ao Orçamento de Estado, em termos anuais ( a dos boys nos lugares do Estado), muito, mas muito mais, que um só deputado gasta na legislatura inteira.
Não dizemos que não se coloque gente, até porque não faz sentido ganhar as eleições e ter no seu Gabinete pessoas que não seguem a linha de pensamento do seu partido ou a sua....
Mas nós defendemos o seguinte;
O número de nomeações , tem de ser controlado e regulado, tem de ser colocada uma fasquia , e esta tem de ser imposta, tem de ser inultrapassável por todos os partidos, quer na administração central,quer na local, sob penas de sanções severas, que podem começar, sublinho, começar pela automática perda de mandato.
Têm deexistir concursos nacionais para a maioria (quase totalidade) dos cargos que não sejam de confiança política ( E ESTES DE CONFIANÇA POLÍTICA, tem de estar regulados, têm de ser num número definido e comedido).
Voltando ao assunto principal, O NÚMERO DE DEPUTADOS NÃO PODE, quanto a mim, ser REDUZIDO, mas sim AUMENTADO.

Uma maior responsabilização e fiscalização quanto ao trabalho dos Deputados, é uma condição fundamental, a aproximação dos Deputados aos eleitores, é outra condição que é primária. Os deputados têm de prestar contas aos eleitores, lutar pela sua região, por isso é que por lá foram eleitos.


É também essencial, introduzir aqui, a regra norte-americana (USA) de eleições intercalares, a meio do mandato, onde metade dos deputados é sujeito a eleição, e podem renovar o mandato ou não, depende do trabalho e campanha que fizerem.
Mas nós não queremos falar em aumento do número de deputados, só por falar, sustentamos com o seguinte quadro:



Coluna B=  Distrito/Circulo

Coluna C= Temos o número de eleitos por Distrito (são assim que são apurados os deputados,ou seja por Distrito)

Neste link o número de eleitores por Distrito, distribuídos por freguesia 
http://www.tsf.pt/storage/ng2644414.pdf

Coluna E= Número de Eleitores(Diário da República de 2011)

Coluna F= Densidade Populacional (Nº de habitantes a dividir pelo número de Km2 do Distrito)

Coluna G= Tamanho do Distrito em Km2

Coluna H= Dividimos os deputados por km2, e temos assim, os km2 que um deputado cobre em cada distrito


Conseguimos extrair dos números do quadro que:

  • A distribuição está disforme, 
  • Existem Deputados em alguns Distritos que necessitam para serem eleitos mais 17.000 eleitores que outros.
  • Existem regiões que estão muito mal representadas em termos do número de deputados eleitos.

É por isso necessário um reequilíbrio na distribuição dos deputados, aliado a um aumento do número desses mesmos deputados.
Um exemplo gritante são os Açores, 9 ilhas, que apesar de serem Região Autónoma, só têm 5 deputados, nem sequer a um deputado por ilha têm direito.
Constatamos por isso que o critério número de eleitores, quando é atribuído o número de deputados, sendo este o único critério a ter em conta, é uma norma que gera discrepâncias e desigualdade entre o continente e as ilhas (por exemplo), e que, não permite representar condignamente o todo nacional, originando fracturas na sua representação, e mais tarde com reflexo nas medidas a tomar pelo Governo.


Alia-se a isto o seguinte: Nesta II República (I República até 1926, seguido de um interregno até 1974, em que apesar de ter havido eleições, estas foram manipuladas, não foram nem livres,nem universais, não se adequando e/ou encaixando nos ditames da Democracia Republicana. Por esta ( e outras) razão, não pode por isso ser apelidada de Democracia Republicana ou sequer Republica, esse período que mediou entre 1926 e 1974. Com o reaparecer da Democracia Republicana em 1974, retomou-se o caminho do Republicanismo Democrático. Sendo ,por isso, neste momento que atravessamos (2015), a nossa II Republica e não a III coo alguns erradamente a designam), nesta II República, escrevíamos nós, quem fez a CRP optou (quanto a nós mal) por uma só Câmara de Deputados.
Esta má opcção, teve como consequência hoje em dia que as regiões e as populações estão deficientemente representadas. Isto traduz-se muitas vezes no deficiente investimento do Estado (leia-se  Governo) nessas regiões.

Neste quadro temos, também por Distrito o número de eleitores, e estão também divididos por grupos etários.

Uma segunda câmara impõem-se urgentemente, para que exista uma continuidade, e uma maior ponderação e responsabilização do poder político (as funções do Senado, poderemos ir inspirar-nos aos USA ou ao Brasil.).
É necessário, para uma boa vida em sociedade, e pelo princípio da subsidiaridade interna que  o equilíbrio entre a representação das Regiões e Distritos seja uma relaidade.
Por outro lado, é também necessária a presença no meio de representação do Estado (até porque dele fazem parte) das profissões, leia-se Ordens Profissionais.
O mundo do trabalho é umas das componentes mais importantes na nossa vida em sociedade, não faz sentido que esteja arredado do Estado, só sendo chamado a eleições de 4 em 4 anos.
É também necessário que os sindicatos, as entidades empresariais, as associações e clubes tenham representação.
Os próprios partidos têm de estar representados no Senado, e até os magistrados, os municípios e as freguesias.
Obviamente que isto tudo com conta, peso, medida e proporção.
Mas, se analisarmos bem , e sem demagogias, esta introdução do Senado, com abertura a grande parte da Sociedade, esta (sociedade) estaria melhor representada e teriam direito a uma voz, aqueles que hoje em dia só se podem manifestar através do voto de 4 em 4 anos, mais uma vez sublinhamos.
O poder fiscalizador seria muito mais forte, a tendência para não se fazer aquilo que se prometeu que se iria fazer diminuiria, a credibilidade seria maior.
Não podemos descurar, como em tudo na vida, "Da eterna vigilância", pois a "tentação" de incumprimento é sempre grande. É certo que é mais para uns que para outros, mas ela existe, e tem de ser vigiada.
Assim propomos que sejam constituídas DUAS Câmaras com um número de membros sempre em número ímpar por causa das maiorias e dos empates, conforme indicamos:

Senado (Câmara Alta), deveria ter
241 lugares ( Chegámos a este número da seguinte forma, metade do número de deputados,)

Assembleia (Câmara Baixa), deveria ter
481 lugares (chegamos a este número, da seguinte forma. Dividimos o número de cidadãos eleitores por 20.000, que é o máximo que achamos que cada deputado deve representar).

Defendemos também a Reformulação do conceito do Presidente da República.
O Presidente da República deve ser o CHEFE DO GOVERNO, e não a figura um pouco dúbia como temos agora.
Isto implica uma maior responsabilidade das Assembleias, implica por exemplo que existam Moções de Censura Construtivas (ver o exemplo alemão).

Os trabalhos do Parlamento têm de ser respeitados e valorizados.
Por esta razão deverá deixar de existir a função legislativa do Governo, com a elaboração dos Decretos-Lei.
Tem de ser só a Assembleia da República a Legislar.
Essa é a sua função (da A.R.), a função legislativa. A função do Governo é Governar. Se o Governo necessitar de leis, tem de negociar com a Assembleia da República e com o Senado.

Por último a adopção de consultas ao Povo, com referendos mais frequentes, como têm os Suíços e os Norte-Americanos (USA).

Ou esta regras são implementadas, para que exista uma Profundidade Democrática ou  então os remendos que andam por aí a colocar só são Pura Demagogia Barata e vão dar mau resultado, porque vão produzir poucos ou nulos efeitos.

Ou seja, com  a implementação destas regras que propomos, teríamos uma Democracia mais eficiente e participativa, todos ficaríamos a ganhar, mas até lá o "SHOW MUST GO ON"...Sim deve, Mas.... deve continuar, não ao  Toque do Baile MANDADO, mas sim do Consenso.

A BRIGADA TEM UM CHEFE...MAS QUE NÃO DECIDE SEM OUVIR A TOTALIDADE DA BRIGADA.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Na tv pública vale tudo?


Onde é que chegámos.
Na RTP1, na TV Pública, na TV que tem por obrigação de fazer Serviço Público, assisto incrédulo e perplexo a programas que "obrigam" os telespectadores a telefonar, com várias artimanhas, tais como "aparecer na TV (nem que seja só a sua voz); poder falar com figuras ditas públicas/popularuchas; ter 2 minutos de "fama" e que criam a ilusão de poder habilitar-se a ganhar dinheiro jogando um jogo em directo, que oferece 500€ a quem telefona e cuja chamada seja atendida e caso acerte no que perguntam ou outro jogo qualquer.
Neste telefonema que lhes custa 0,60 € + iva = 0.78€ aprox., e de certeza que se não for seleccionado (que é o que acontece à maioria), aparece uma mensagem a dizer "ainda não foi desta continue a tentar", e o cidadão no engodo de poder ganhar continua a tentar, e a tentar.
E isto acontece no programa da manhã e no programa da tarde.
Estes programas de casino serão legítimos?
Duvido muito da legalidade deste tipo de programa/oferta na TV Pública e não tenho dúvida nenhuma que é ilegítimo a estação de todos nós estar a fazer isto, todos os dias, e às horas que os cidadãos mais incautos e vulneráveis estão a ver.
Mas não importa a que horas este tipo de programas/"ofertas" seja transmitido, não tenho duvidas que é imoral, ilegítimo e causador de empobrecimento a todos os níveis de todos cidadãos que a este tipo de programas assistem, e relembro que existem milhares de pessoas que não possuem mais que os 4 canais, por isso as opções são poucas.
E são poucas, porque as TV'S privadas à mesma hora fazem o mesmo tipo de programas com o mesmo tipo de ofertas engodo.


É fácil dizer, os cidadãos que fechem a TV e vão ler e passear.
Quem me dera que fosse assim tão simples, mas a minha realidade, não é a realidade dos outros, e todos sabemos que a TV é muitas vezes a companhia de muita gente.
Em relação ainda a este tipo de programas, quero fazer um paralelo: A maioria de nós fala mal dos POLÍTICOS, dizendo que nos engana, que nos tiram dinheiro, que arranjam esquemas para tudo,então que dizer dos APRESENTADORES (muitos com a mania que têm piada), que os próprios Media, os promovem a "figuras públicas", que dizer desta gente, dizia eu, que aceita promover este tipo de esquemas, ajudando a enganar os cidadãos, com guiões feitos propositadamente para "vender estes produtos" obrigando os cidadãos a telefonar. Será que vale tudo para ganhar dinheiro? parece que sim, não digo que não seja legítimo, agora Honrado? Claramente que não?
Seja porque motivo for que eles façam isso , estas figuras públicas que não passam de figuras popularuchas sem nada na cabeça, que com o seu comportamento, contribuem para o alto índice de iliteracia e falta de cultura da população.
Sim, eles tal como alguns políticos, são responsáveis pelo estado da nossa Sociedade.
E tudo isto em directo na RTP 1 A TV DO ESTADO. Sinceramente prefiro, 1000 vezes ver a "Ovelha Choné" na RTP2, a er de ver este tipo de programas degradantes, a ovelha é muito, mas muito mais divertida




Nem tudo em Democracia tem um preço, e a BRIGADA sabe disso, e pratica.





segunda-feira, 26 de maio de 2014

O Voto Obrigatório

A Democracia tem direitos e deveres.
Se queremos viver em Democracia , e eu presumo que a maioria quer, então além dos direitos inerentes à mesma temos de cumprir os seus deveres.
Um dos direitos é ser consultado em eleições de 4 em 4 anos ou de 5 em 5 anos, ou seja em eleições regulares, periódicas, livres, universais, iguais e com voto secreto, para eleger os seus melhores para os governar, na base de um programa político que tem de ser cumprido.
Ainda é um direito, o de ser consultado em matérias diversas, que não foram a eleição para ser sufragadas e/ou que pela sua natureza a sociedade tem toda a conveniência de  que a matéria seja discutida e reflectida individualmente.
O povo tem de ser consultado em matérias que a longo prazo afectem a vida da sociedade, e não deixar que essas decisões fiquem nas mãos só dos eleitos.
Numa frase, "A soberania de um povo não pode ser na sua totalidade passada para as mãos de um órgão institucional, nem sequer de todos, a soberania reside no povo, e só parte dessa soberania deve passar para os órgãos institucionais.".
Diria a Soberania Administrativa, a Soberania Material, mas a Soberania Formal e a Soberania Económica, essa deve ser frequentemente aferida e consultada com o Povo.
Os governos não podem ser deixados com "roda livre", os Governos e as Assembleias representam-nos e falam, discutem, debatem e decidem em nosso nome, mas esse mandato só é válido enquanto nós quisermos e deixarmos.
É mais importante e tem mais dignidade constitucional uma iniciativa popular do que uma iniciativa partidária, e era assim que devia ser tratada.
Estamos no terceiro milénio, e a interactividade entre os órgãos de soberania e quem lhe deu essa mesma soberania tem de ser real, tem de se sentir, tem de se ver e tem de ser algo que seja comum.
Se existe uma iniciativa popular para uma determinada lei, os seus proponentes, devem ser ouvidos no Parlamento, tal deve ter prioridade sobre outras leis, e ser votado na legislatura o mais rápido possível, ou seja não passar de um mês (dependendo da sua complexidade).
Mas dizíamos nós que a Democracia é um Direito e é um dever, este Direito de iniciativa popular com prioridade e dignidade, deve ser um deles, o dever de ir votar é uma complementaridade desses direitos.
O Voto deveria ser obrigatório, não só em Portugal mas na Europa inteira, estão em causa os nossos direitos, e há quem tenha consciência disso e existe quem não tenha.
A democracia necessita de constantes cuidados e atenção, não podemos andar a clamar pelas ruas que está tudo mal se depois não levamos à prática as nossas convicções e opiniões votando, se não nos constituímos em grupos de cidadãos para defender uma causa, se não aderimos a partidos já existentes ou se não estamos contentes com nenhum formamos um.
O VOTO DEVE SER OBRIGATÓRIO, e sendo obrigatório isso não é nenhum atentado a nenhum princípio democrático, a Democracia tem Direitos e Deveres e os dois balanceiam-se, o desequilibro de um é a queda de todos.
Se depois os cidadãos votam em branco ou nulo, isso já é outra conversa, e são ilações que os partidos e os grupos de cidadãos têm de observar e ajustar as suas políticas e promessas para diminuir esse descontentamento, e se não conseguirem, cabe aos cidadãos juntarem-se e preencher essas lacunas.
Ontem foram as eleições europeias, os políticos estão assustados com a abstenção que foi muito elevada, mas acreditem, mais preocupados ficariam se o voto tivesse sido obrigatório e o número de brancos e nulos tivesse sido superior aos votos válidos.





 Barnabé : Sérgio Godinho 


Vieram profetas
Vieram Doutores
santos milagreiros, poetas, cantores
cada qual com um discurso diferente
p'ra curar a vida da gente
e a gente parada
fez orelhas moucas
que com falas dessas
as esperanças são poucas
mas quando o Barnabé cá chegou
Toda a gente arribou [bis]
Que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros?

Vieram peritos
em habilidades
dizer que a fortuna cresce nas cidades
e que só ganha quem concorrer
e quem vai ser, quem vai ser
que vai ganhar, vai vencer?
E a gente parada
fez orelhas moucas
que com falas dessas
as esperanças são poucas
mas quando o Barnabé cá chegou
Toda a gente ganhou [bis]
Que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros?

Vieram comerciantes
vender sabonetes
danças regionais, televisões, rabanetes
em suaves prestações mensais
e quem dá mais, quem dá mais? [bis]
E a gente parada
fez orelhas moucas
que com falas dessas
as esperanças são poucas
mas quando o Barnabé cá chegou
quem tinha ouvidos ouviu
quem tinha pernas dançou
Que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros?

A BRIGADA ONTEM FOI VOTAR, PORQUE AINDA ACREDITA NA DEMOCRACIA.




sexta-feira, 21 de março de 2014

Cuidado com as imitações republicado e revisto (publicado em julho de 2007)



Será que temos uma democracia? Ou teremos um "espécie de Democracia?"

Ah se vocês sonhassem de que tijolos e cimento é feita a parede da nossa actual Democracia...

Acho que alguém se esqueceu de fazer fundações firmes e usou materiais de segunda e agora estamos nós a queixar que o edifício não está bom.

Antes demais queria deixar aqui vincado que existe gente honesta na política, e que pelo caminho que as coisas vão não estão para verem a sua vida pessoal devassada por jornalistas e jornais sem escrúpulos que não sabem o que tem valor.

Esta gente boa não quer trocar a privacidade e a sua zona de conforto para dar de si à causa do bem comum, como eu os compreendo.

Espantados que haja gente boa?

Não estejam, é a sério que falo, eu conheço alguns.

Mas vamos à questão que primeiro coloquei e nesta análise devemos cingir-nos aos critérios científicos (que é para isso que eles servem).

Afinal o que é a Democracia?

Democracia é: o governo do povo, ou seja, quer isto dizer, a soberania reside no povo.

O que teoricamente é o mesmo que dizer que é ao povo que cabe ter o poder.

E ter poder implica ter participação nas decisões, poder opinar e votar nelas.

Mas, caros concidadãos, sabeis vós tão bem quanto eu que isto aqui não é a Suíça, não somos assim tão poucos e não temos um Estado do tamanho do Alentejo.

Porque apesar de muitos defeitos, pois não existem sistemas perfeitos, a Democracia Suiça funciona, e o povo têm maior capacidade de decisão que o povo Português, dizendo de outra maneira, o povo Suíço tem real participação directa na política suíça.

É que se tivéssemos o tamanho da Suiça, argumentam os teóricos, os mesmos que têm por convicção retirar poder ao povo, então, dizem eles, teríamos a possibilidade de fazer referendos permanentes, para questões prementes ou outras que afectam o dia a dia dos cidadãos.

Quanto a mim, aqui o problema da participação é outro, já que o ~2alegado problema de tamanho do país, se anula quando vemos que um país grande como os EUA, esse tipo de participação, é real e faz parte da sua Democracia.

Eles escolhem em primárias quem está melhor colocado para o se candidatar ao Senado e ao Congresso, eles elegem o "Xerife" do seu condado, eles elegem os juízes, validam ou não decisões ou futuras decisões das câmaras.

O poder neste momento reside no Estado, mas o Estado é todo o povo, e qualquer Estado só tem sentido existir se tiver soberania, daí que a Soberania reside no povo.

E o que é a Soberania ?
É o Poder político, de que dispõe o Estado, de exercer o comando e o controle, sem submissão aos interesses de outro Estado.

Se a Soberania é do Estado e o Estado somos todos nós, então a Soberania está dividida por cada um de nós, e todos nós em conjunto fazemos a soberania do Estado.

Vamos fazer as contas à Soberania, somos cerca de a 10 milhões de Portugueses, então dividimos a Soberania por 10 milhões dá 1/10.000.000 de soberania a cada português, ou seja é um cagagésimo a cada um.


Por ser uma conta tão ínfima a cada um, no nosso e nos outros países, houve uns ideólogos políticos, no Sec. XIX que pensaram e disseram que não poderia ser.

Pois o Estado tinha de ser forte, e não poderíamos a soberania assim disseminada  e que para o país (este e os outros) ser funcional teríamos de concentrar a Soberania.

Ora concentrar a Soberania,ou seja o poder de decidir num só órgão, pode tornar o Estado mais forte, mas retira poder de decisão ao povo.

Não! Não defendo Estados fracos, mas também não defendo povos sem poder de decisão, ou com poder de decisão de 4 em 4 anos.

Isso já ficou demonstrado que somos enganados, que os políticos dão o dito por não dito, e depois a malta é que se trama.

A Democracia Republicana, onde o Povo é o centro de todas as coisas, onde o povo teoricamente deveria decidir, foi transformada numa Democracia de poucos grandes Barões.

E estes grandes Senhores disseram-nos, melhor dizendo impuseram-nos (com a força das armas que tinham) ao estilo D. CORLEONE "I will make him an offer he can not refuse", usurpando o poder legítimo que lhes foi dado,  concentraram e distribuíram a nossa soberania mitiganado assim a Democracia por 5 ou 6 centro de decisão, e que nenhum deles é o povo, e pior em que alguns deles o povo nem decide.

Esses centros de decisão são: Presidente da República, Governo, Assembleia da República, Tribunais, Tribunal Constitucional, Conselho de Estado, Partidos e outros que não são visíveis.

Passámos assim a nossa quota parte de soberania para os Deputados, Tribunais e outros, mas como não podiam passar a soberania sem dar nada em troca, e em troca deram -nos a possibilidade de podermos eleger de 4 em 4 anos os Deputados à Assembleia da República, criando-nos a ilusão de que são eles que nos representam.

Mas ainda estamos a seguir as regras de Monstesquieu do poder tripartido do Estado (e o Estado é o povo), que está dividido em Poder Legislativo, Executivo e Judicial.

Ou seja de todos os poderes subdivididos do Estado, só 1/3 é escolhido por nós, o poder legislativo.

E a nossa escolha é só para quem nos representa, o resto das políticas a adoptar efectivamente não é. Porque apesar deste sistema de partidos lhes impor um programa que devem seguir, no próprio dia das eleições eles já o estão a mudar.

Ou seja, O POVO FICOU SEM O PODER, e se o Estado é o Povo, e o Estado está concentrado em meia dúzia, logo o Estado são meia dúzia.

Mas insistem em nos iludir, e é por isso é que se diz que "Votar" é utilizar a nossa "arma".
Mas os políticos espertos deram-nos a arma mas ....com munições de salva e nós bem que disparamos mas isto fica tudo na mesma.

Logo não vale a pena andarmos por aí aos tiros.

Analisando o caso Português, na A.R., são 230 os Deputados que representam os 10 milhões de portugueses, logo a parte da soberania que está na A.R., cabe a representação de cada deputado 43.478,2 de cidadãos, que detinham essa soberania ou seja representa quarenta e dois mil, quatrocentos e setenta e oito vírgula dois da Soberania dos Portugueses.

Quem representa tantos portugueses ao mesmo tempo, obviamente não representa ninguém, fala por toda a gente e não fala por ninguém em concreto.

Mas se quisermos ir mais fundo, vemos que os Deputados são eleitos por distritos, distritos esses que representam uma área geográfica enormíssima, composta por todos os concelhos desse Distrito, ou seja além de representar aquela parte do território representam também os cidadãos eleitores e não eleitores que lá vivem.
De salientar que algures na Constituição da R.P. consta que o Deputado representa o todo nacional (daí, não sei se se lembram, que se deu na A.R. "a bronca do queijo limiano" ou seja, a bronca deu-se quando alguém que era deputado disse que era eleito por Ponte de Lima e com contrapartidas locais quis fazer um acordo nacional.

Pois é caros leitores (isto já parece o estilo Almeida Garrett, a dirigir-se aos leitores...), isto acontece porque temos um sistema de eleição de Deputados que já não responde nem corresponde às necessidades.

Mas acaso vós sabeis como é que esses deputados são escolhidos?

A escolha de deputados não é feita como nos EUA (primárias), como acima já referimos, a escolha dos deputados é feita da seguinte maneira:

Os Deputados são escolhidos por partidos e nos partidos.
Por isso é aos partidos (não aos eleitores) que os deputados devem fidelidade e submissão, pois foram os partidos que os escolheram e indicaram e voltarão a indicar se estes se portarem bem.

Convém referir que a maioria dos partidos está dividido por Distritais e estas em Concelhias.

Essas Distritais representam geograficamente o Distrito e as Concelhias são as células que representam o partido no concelho, isto tudo é supervisionado pelo partido nacional.

Os 230 deputados nacionais são divididos por Distritos, é um rácio feito consoante a população do Distrito, Lisboa e Porto são os que elegem mais e a ilha do Corvo (ou o conjunto daquelas ilhas) elege só 1 se não estou em erro.

Ora a população do Corvo é inferior à dos grandes centros urbanos.
Aqui começa um desequilibro, o número de votos para eleger um deputado no Corvo é diferente do número de votos necessários para eleger um deputado em Lisboa.
Se o número para eleger fosse igual, ou teríamos de colcoar mais gente no Corvo ou aumentar o número de Deputados.
É por isso que existem uns deputados que para serem eleitos precisam de menos votos que outros, já que como tem de ser eleitos por Distritos, há distritos com menos e outros com mais população.

Mas voltemos à escolha, esta é feita da seguinte forma:

Dependendo de quem seja o líder do partido ser mais democrata ou mais ditador.
Se for mais para o Ditador pode avocar para a sua Comissão Nacional a escolha e ser dele a indicação dos 230 nomes e os suplentes que vão ser indicados para as listas dos Deputados.

Se for mais democrata descentraliza, mas aqui existem vários estágios de Democracia, se o líder for mais democrata, só escolhe os cabeça de Lista dos Distritos, e deixa os restantes nomes para serem escolhidos pela Distrital, se for um pouco menos democrata, além dos cabeça de lista ainda exige uma quota parte das escolhas (isto tem a ver com o que se chama "ter a mão" no grupo parlamentar a ser eleito).

Assim do total dos deputados a serem indicados pelo Distrito, as distritais tem direito a um número X de deputados.

Mas não fica por aqui, tudo depende do líder da Distrital ser ou não democrata, lá voltamos nós ao mesmo, se o líder da distrital for mais para o democrata divide esse número de deputados a que a Distrital tem direito a indicar a uma escolha participada pelas concelhias que fazem parte do seu distrito (os partidos democráticos está claro, os outros é o comité central que os escolhe).

Assim sendo as concelhias indicam o número de elementos que lhes coube para candidatos a deputados à distrital, e assim se obtém a lista de deputados pelo distrito, depois de votado e aprovado pela Comissão Política Distrital e depois disso ratificada pela Comissão Política Nacional.

Imaginem agora a teia de interesses, guerras, traições, alianças,que por trás se jogam, para o fulano A ser indicado para deputado em detrimento do Fulano B, e depois de escolhido o Fulano A ir mais acima da lista que o B.

A questão do Secretario Geral/Presidente do Partido ter uma quota na escolha dos nomes para deputados, e os Presidentes das Distritais e o Presidente da Concelhia também terem essa quota, fazem com que a democracia se dilua nos interesses pessoais, porque geralmente as Concelhias são pequeninas e têm só o direito a indicar um deputado...

Ora adivinhem vós, se só existe um nome para indicar para Deputado, quem é que o Presidente da Concelhia vai indicar?
A resposta é A ELE PRÓPRIO (pleonasmo propositado), ou seja existe aqui um jogo de poder que perpétua sempre o mesmo

Que havia jogos de poder já todos sabíamos e agora eu disse como é que são jogados, mas não disse quais as regras do jogo, essas são mais complicadas e eu não as compreendi, senão já era deputado.

Mas imaginemos que existe, mais que um nome a ser indicado, e que até a escolha é quase Democrática, desçamos às Concelhias maiores com grande quota na respectiva Distrital, depois de se indicar a ele próprio o Presidente da Concelhia dá a possibilidade de os restantes deputados serem escolhidos pelos seus  correlegionários que pertencem à concelhia.

Mas não se iludam que o universo de escolha para nomes de deputados é o de 100% dos eleitores daquela Concelhia... não claro que não...

No caso da concelhia, existem membros que fazem parte dos órgãos e que foram eleitos (aí sim pelo universo dos 100% de correlegionários que estão inscritos no partido, naquele concelho) e que a eles cabe votar no numero de deputados disponível depois de depuradas as quotas que acima mencionei...

Bolas já estou cansado de escrever descrevendo esta democracia...

Isto é válido para quase todos os partidos, estas escolhas são feitas entre 3 a 6 meses antes das eleições serem marcadas.

Nos partidos (porque só os partidos podem apresentar listas de candidatos a deputados) dois anos antes já começaram a afiar as facas, para espetar nos camaradas/companheiros do partido para serem eles a concorrer a cargos.

Por isso é que existem tantas “broncas” nos partidos  PSD -PS-PP isto só para falar de alguns...
As broncas existem por causa do Poleiro meus caros... ah pois é...

E por isso as eleições internas são importantes, porque dão a possibilidade de terem cargos, ou julgam que determinado individuo e a sua equipa concorrem a uma concelhia ou uma distrital só porque gostam do partido?

Se fosse assim nunca mudavam de partido…

É por causa do poleiro, do poder de designar as quotas, do protagonismo, do lugar na Assembleia da Republica ou no Governo, ou na Câmara ou lugar de assessor...

É claro que alguns deles até têm boas intenções e quando os que têm boas intenções são eleitos beneficiamos todos disso.

Mas não julguem que os Presidentes de Concelhias e de Distritais é fácil. Tudo tem um custo, além dos fins de semana passados em reuniões, das noitadas, imaginem a chuva de telefonemas dos correlegionários a dizerem mal deste e daquele, ou então a auto-elogiarem-se que eles e só eles é que são bons e os indicados para o lugar, eles que sempre lhe foram fieis.

VALE TUDO.

E tal como nos empregos, em que há colegas que tratam da promoção no emprego lixando os colegas (eu que o diga que só tenho jeito para ser lixado) eles assim tratam de concorrer a deputados.

Chegada a hora da verdade, toca a votar internamente a escolha dos deputados... e a concelhia tem Y lugares para indicar à distrital, e esta possui uma faculdade que eu não tinha dito que é a de ordenar os nomes dos deputados na lista a indicar...ou seja pode ter sido o elemento mais votado, mas não caiu no goto do Presidente da  Distrital e vem cá parar ao fundo que é limpinho.

No final das eleições internas de um partido, existe muita gente furibunda... lixada mesmo... e então aí é que começam as manobras de bastidores... e alguns conseguem através dessas artimanhas políticas entrar nas listas... e até retirarem aqueles que eleitos “democraticamente” foram... pois ainda podem recorrer ao Secretário-Geral/Presidente do Partido.

Resumindo, caros bloguistas militantes, espero ter sido explicito ao dizer que quando as listas de deputados chegam até nós, já passaram por escolhas primárias internas na Concelhia, e depois numa segunda fase pela depuração da Distrital, pelos jogos de bastidores e pela aprovação final da Comissão Nacional do partido.

Ou seja a escolha foi feita plutocraticamente

Eu explico, com tanta teia de interesses internos, quem tem o dinheiro compra os votos, ou melhor sendo mais objectivo tem uma maior disponibilidade para fazer campanha e influenciar, a escolha é feita através do dinheiro e não do mérito, raramente as duas hipóteses coincidem.

E para não me alongar só dizemos que nos faltou falar das eleições internas dos partidos, e aí podem crer que vocês veriam que os métodos Estalinistas, ainda que ligeiros não foram erradicados e ainda são praticados.

Resumindo para a escolha dos Deputados, nós os cidadãos quando vamos às urnas, escolhemos a escolha da escolha, das escolhas conjuntas, ou seja nós escolhemos a quarta depuração.

Já perceberam que isto é a Democracia que temos neste momento é a Democracia Dos Amigos...
É por isso que são sempre os mesmos...

Existe um (até mais que um) método alternativo a este, que é o que se faz em França ou nos USA, que são as primárias, em que o povo escolhe quem do partido quer que seja indicado para deputado.

Ou outro método que  é o sistema misto, que é o método dos círculos uninominais e o circulo nacional como existe na Alemanha.

Ou um sistema que seja um misto dos dois.

Mas até lá temos que gramar esta imitação de democracia...



Cuidado com as imitações - Sérgio Godinho
Estimado ouvinte, já que agora estou consigo
Peço apenas dois minutos de atenção
É p'ra contar a história de um amigo
Casimiro Baltazar da Conceição

O Casimiro, talvez você não conheça
A aldeia donde ele vinha nem vem no mapa
Mas lá no burgo, por incrível que pareça
Era, mais famoso que no Vaticano o Papa

O Casimiro era assim como um vidente
Tinha um olho mesmo no meio da testa
Isto pra lá dos outros dois é evidente
Por isso façamos que ia dormir a sesta

Ficava de olho aberto
Via as coisas de perto
Que é uma maneira de melhor pensar
Via o que estava mal
E como é natural
Tentava sempre não se deixar enganar
(E dizia ele com os seus botões:)

-Cuidado, Casimiro
Cuidado, Casimiro
Cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações

Lá na aldeia havia um homem que mandava
Toda a gente, um por um, por-se na bicha
E votar nele e se votassem lá lhes dava
Um bacalhau, um pão-de-, uma salsicha

E prometeu que construía um hospital
Uma escola e prédios de habitação
E uma capela maior que uma catedral
Pelo menos a julgar pela descrição

Mas... O Casimiro que era fino do ouvido
Tinha as orelhas equipadas com radar
Ouvia o tipo muito sério e comedido
Mas lá por dentro com o rabinho a dar a dar

E... punha o ouvido atento
Via as coisas por dentro
Que é uma maneira de melhor pensar
Via o que estava mal
E como é natural
Tentava sempre não se deixar enganar
(E dizia ele com os seus botões:)

-Cuidado, Casimiro
Cuidado, Casimiro
Cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações

Ora o tal tipo que morava lá na aldeia
Estava doido, já se vê, com o Casimiro
De cada vez que sorria à plateia
Lá se lhe viam os dentes de vampiro

De forma que p'ra comprar o Casimiro
Em vez do insulto, do boicote, da ameaça
Disse-lhe: "Sabe que no fundo o admiro
Vou erguer-lhe uma estátua aqui na praça"

Mas... O Casimiro que era tudo menos burro
E tinha um nariz que parecia um elefante
Sentiu logo que aquilo cheirava a esturro
Ser honesto não é só ser bem falante

A moral deste conto
Vou resumi-la e pronto
Cada qual faz o que melhor pensar
Não é preciso ser
Casimiro pra ter
Sempre cuidado pra não se deixar levar

-Cuidado, Casimiro
Cuidado, Casimiro
Cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações"

Há cargas fantásticas, não há? Na tropa não há Democracia senão cada um carregava à sua maneira...mas vendo bem não é só na tropa.